Sobreviventes do ébola vão lutar contra a doença

Sobreviventes de Ébola na Serra Leoa comprometeram-se hoje a participar na mobilização contra a epidemia daquela febre hemorrágica que afeta o país, durante uma conferência de dois dias, segundo organizadores e participantes.

No total, 35 sobreviventes -- 25 homens e 10 mulheres -- participaram na quinta-feira e hoje em "A conferência dos sobreviventes", em Kenema, no oeste do país, a região mais afetada, na qual se mostraram "confiantes" e determinados a "lutar contra a discriminação e o medo", indicou um organizador à Agência France Press (AFP).

Numa das resoluções adotadas durante a conferência, estes sovreviventes comprometeram-se a participar na sensibilização contra a doença e a estar envolvidos em operações futuras a realizar junto de grupos vulneráveis, explicou Issa Davies, uma responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na Serra Leoa, coorganizadora do encontro.

"Os sobreviventes serão um grande trunfo" na luta contra a epidemia, porque já estão imunes ao vírus e não podem mais contrai-lo, acrescentou Issa Davies.

Tirando partido desta imunidade, a Unicef confiou aos sobreviventes as crianças de quarentena e os órfãos da epidemia.

Durante o encontro, os sobreviventes contaram como se sentem desde que saíram do hospital, como foram rejeitados pelas famílias e por membros da comunidade, que se recusam a admitir que já não podem contaminar ninguém.

Janet, uma das sobreviventes, afirmou à AFP que abandonará Kenema com uma grande confiança nela própria.

"Quando voltar, direi 'Janet estás de regresso, sem Ébola. Já não estou mais doente'".

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