República Centro-Africana deve "evitar a divisão"

O Presidente francês considerou hoje como fundamental que a República Centro-Africana (RCA) evite a "tentação" de "divisão do país", palco de uma crise política agravada por violentos confrontos interreligiosos entre as populações cristã e muçulmana. O nível desta violência foi hoje comparado por um responsável do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados ao que se viveu na Bósnia, em 1995, pouco antes do massacre de Srebrenica.

Na sua segunda visita em três meses à capital da República Centro-Africana (RCA), Bangui, François Hollande falou perante os militares franceses presentes no país no quadro da operação Sangaris, elogiando-os por terem "salvado milhares de vidas", ajudado a "restabelecer a autoridade do Estado e a relançar o diálogo" político.

Proveniente da Nigéria, Hollande indicou como prioridade impedir "a menor tentação de uma divisão do país" das regiões do Leste, onde predominam as populações muçulmanas. A RCA entrou em colapso político e numa espiral de violência após o afastamento do poder do presidente François Bozizé, em março de 2013, pelas milícias muçulmanas conhecidas pelo nome de Séléka. O país viveu então um surto de violência que só conheceu acalmia com a intervenção francesa em dezembro.

Após a queda de Bozizé, o poder ficou entregue ao líder das Séléka, Michel Djotodia, que, sob pressão dos países da região e da comunidade internacional, acabou por abandonar a RCA, estando a presidência hoje entregue a uma figura de transição, Catherine Samba Panza. Esta, assim como vários dirigentes religiosos das duas comunidades, foram recebidos pelo Presidente francês.

O objetivo da visita de Hollande, como o próprio explicou, é o de "fazer o ponto da situação do conseguido nos últimos três meses e fixar as próximas missões". O Presidente francês considerou muito preocupante a persistência de situações de violência, apesar dos esforços da missão militar francesa, atualmente com mais de dois mil efetivos.

Um oficial da força francesa disse a Hollande, enquanto mostrava algum do material bélico que tem sido capturado, ser comum a apreensão de "uma tonelada de armas e munições por dia".

O nível e perpetuação da violência preocupa particularmente o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, cujo responsável pela atuação deste organismo na RCA, Philippe Leclerc, disse hoje que o "clima de violência é tão intenso como o vivido" antes do massacre de Srebrenica, na Bósnia, quando cerca de oito mil homens e jovens muçulmanos foram mortos pelas forças sérvias naquela localidade em julho de 1995.

"Está hoje em curso uma limpeza étnico-religiosa, que visa os muçulmanos. Muitas pessoas são apanhadas quando tentam fugir para salvar a vida - já vimos isso no passado", afirmou Leclerc. O responsável da ONU defendeu a necessidade de se "aumentar" a presença das "forças internacionais" e as "pressões políticas" para "travar os massacres".

Esta situação de violência recorrente está a pôr em causa o cenário inicialmente previsto de realização de eleições gerais até final do corrente ano.

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