ONU diz que milhares de crianças estão em risco

As vidas de milhares de crianças estão em risco na República Centro-Africana, onde a ajuda humanitária está a processar-se com dificuldades, após o golpe de Estado dos rebeldes, alertaram hoje as Nações Unidas.

Em Genebra, na Suíça, Marixie Mercado, porta-voz da agência da ONU para a infância (Unicef), enumerou algumas das dificuldades: falta de acesso a ajuda básica; "rutura séria de serviços de saúde e médicos em fuga"; escolas fechadas ou sem professores; escassez de alimentos; obstáculos à distribuição de ajuda, nomeadamente bloqueios de estradas, ataques e assaltos; recrutamento de crianças como soldados; aumento da violência de género.

"Cerca de 600 mil crianças têm sido afetadas pelo conflito em todo o país", sublinhou Mercado, adiantando que "muitos centros de nutrição estão fechados e foram pilhados".

A Unicef estima que "13.500 crianças venham a sofrer de má nutrição, com risco para a sua vida, durante este ano".

A Unicef alertou igualmente que a assistência humanitária está muito limitada financeiramente. Antes do golpe de Estado, a ONU tinha pedido 100 milhões de euros para operações na República Centro-Africana, mas, até agora, recebeu apenas um por cento desse valor.

O conflito reacendeu-se na República Centro-Africana, dois meses depois da assinatura dos acordos de paz entre regime e rebeldes, que acusam agora o Presidente de não respeitar o assinado.

Os rebeldes da aliança Séléka iniciaram uma ofensiva na semana passada e conseguiram tomar a capital, Bangui, no domingo.

Michel Djotodia, líder da Séléka, autoproclamou-se presidente, obrigando o chefe de Estado em funções, François Bozizé, a refugiar-se nos Camarões.

A situação obrigou a Unicef a retirar praticamente todo o seu pessoal, mantendo apenas quatro funcionários internacionais no terreno, juntamente com 65 colaboradores nacionais.

Desde o reacendimento do conflito, a Unicef recebeu "informações credíveis que dão conta do recrutamento de crianças pelos grupos rebeldes e pelas milícias pró-governo", destacou Mercado.

Já antes desta crise, a agência da ONU estimava que 2.500 meninos e meninas estavam nas mãos de grupos armados.

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