Imprensa revela ligações de Kadhafi ao Reino Unido

Documentos secretos revelam o alcance da estreita relação entre Muammar Kadhafi e o Reino Unido, a ponto das autoridades britânicas terem facilitado ao regime líbio informações sobre os seus opositores.

As edições de hoje do jornal britânico "The Independent" e do periódico norte-americano "Wall Street Journal" indicam, com base em arquivos a que tiveram acesso, que existem ainda ligações do regime líbio ao Governo norte-americano durante o mandato do antigo Presidente George W. Bush.

Segundo o "The Independent", os arquivos foram encontrados em gabinetes privados de Moussa Koussa, o braço direito de Muammar Kadhafi e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, que fugiu para o Reino Unido quando começou a revolução na Líbia.

Os documentos - precisa a imprensa - estavam num edifício dos serviços secretos líbios em Tripoli e foram descobertos pela organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW).

Quando chegou ao país, muitos políticos britânicos defenderam que fosse interrogado sobre a responsabilidade do regime líbio nos assassinatos perpetrados no estrangeiro, nomeadamente a agente da Polícia britânica Yvonne Fletcher.

Tanto o "The Independent" como o "Wall Street Journal" revelam que os Governos britânico e norte-americano cooperaram de forma estreita com Kadhafi para enviar prisioneiros com o objectivo de serem interrogados.

Os arquivos revelam que, sob a administração de Bush, a CIA entregou presumíveis terroristas ao regime líbio com as indicações das perguntas que lhes deveriam fazer, escreve o Wall Street Journal.

Em 2004, a CIA estabeleceu mesmo "uma presença permanente" na Líbia, segundo uma nota de um alto responsável da agência norte-americana, Stephen Kappes, dirigida ao chefe dos serviços secretos líbios, na época, Moussa Koussa.

A missiva dá a entender relações estreitas entre os dois serviços, porque começa por "Caro Moussa" e termina com a assinatura "Steve", indica o jornal.

Um responsável norte-americano citado pelo mesmo periódico, mas sob anonimato, recorda que em 2004 "os Estados Unidos tinham conseguido convencer o Governo líbio a renunciar ao seu programa de armas nucleares e a ajudar a deter terroristas que visassem os americanos".

Voos secretos norte-americanos transportaram dezenas de suspeitos de terrorismo por todo o mundo na sequência dos atentados do 11 de setembro de 2001.

De acordo com o "The Independent", os documentos também indicam que os serviços de espionagem britânicos M16 entregaram ao ditador líbio informações sobre pessoas que se opunham ao seu regime.

Acrescenta que funcionários britânicos ajudaram a redigir o esboço de um discurso para Kadhafi, quando este decidiu há alguns anos abandonar o apoio a grupos terroristas e passar a colaborar com o ocidente.

Outros documentos revelam ainda que a União Europeia e o Reino Unido actuaram em nome da Líbia nas negociações deste país com a Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA).

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague, recusou hoje, em declarações à Sky Neuw, comentar estas informações, porque "dizem respeito ao Governo anterior", de Tony Blair.

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