Golpes de Estado e ataques rebeldes afetam estabilidade

Vários países africanos como o Mali, a Nigéria, a República Democrática do Congo e a República Centro-Africana têm enfrentado nos últimos anos golpes de Estado e ataques sucessivos de rebeldes que ameaçam a sua estabilidade política, social e económica.

Estes países de África têm sido alvo de reuniões e debates constantes em várias instâncias regionais e internacionais, como a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), a União Africana (UA), a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE).

O Presidente da República Centro-Africana, François Bozizé, fugiu hoje para a República Democrática do Congo, no momento em que os rebeldes do grupo Seleka atacavam o palácio presidencial, depois de controlarem a capital, Bangui.

A coligação rebelde retomou as hostilidades esta semana depois de ter expirado um ultimato apresentado ao regime, em que exigia o respeito dos acordos de Libreville, estabelecidos em janeiro, a libertação dos prisioneiros e a partida de tropas estrangeiras, entre outras reivindicações.

Os rebeldes do Seleka já afirmaram querer organizar um governo de transição até às futuras eleições democráticas no país, ainda sem data.

No Mali, a França iniciou uma intervenção militar a 11 de janeiro, para travar uma ofensiva para o sul do país de grupos armados islamitas -- entre os quais o Ansar Dine, a Al-Qaida do Magreb Islâmico (AQMI) e o MUJAO - que controlavam o norte do desde abril de 2012.

Os soldados franceses, que já tiveram pelo menos cinco baixas, deverão sair do Mali no final de abril e a ONU deverá enviar uma missão ao país até julho, estando previstas as eleições no país para o mesmo mês.

Na Nigéria, o grupo islâmico radical Boko Haram, que tem ligações à Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI), desde 2009 tem sido responsável por ataques violentos no Norte e no Centro da Nigéria, tendo como alvos preferenciais os cristãos da região.

O Boko Haram tem promovido nos últimos meses vários sequestros de cidadãos estrangeiros, nomeadamente franceses.

Várias pessoas ligadas à área da saúde também foram mortas em ataques promovidos por radicais islâmicos e várias clínicas de vacinação foram encerradas devido às agressões e mortes.

Na República Democrática do Congo, após a assinatura, em 24 de fevereiro, de um acordo para a pacificação do leste do país, sob os auspícios da ONU e assinado por 11 países africanos, iniciaram-se combates mortíferos entre duas fações do grupo rebelde M23, que disputam as regiões junto à fronteira com o Ruanda e com o Uganda.

No sábado, um dos líderes do M23, Bosco Ntaganda, que havia passado a fronteira para o Ruanda com vários de seus homens, foi levado para o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, onde está detido e será provavelmente julgado por crimes de guerra e contra a humanidade.

O país também enfrenta problemas com rebeldes na província de Katanga e, neste sábado, os insurgentes, não identificados, ocuparam uma base da missão das Nações Unidas (MONUSCO) em Lubumbashi, entretanto já cercada pelas forças governamentais.

O Sudão e o Sudão do Sul (independente desde julho de 2011) assinaram a 09 de março um acordo que abrirá caminho em direção à paz entre os dois países, envolvidos em disputas de petróleo e de fronteiras.

Já o conflito na região sudanesa do Darfur (oeste do Sudão), que opõe os grupos rebeldes não árabes ao regime de Cartum, apoiado por milícias árabes, começou em 2003 e já fez 300 mil mortos, segundo a ONU, e mais de um milhão de refugiados.

Em abril de 2012, a Guiné-Bissau sofreu um golpe de Estado, que depôs o presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, agora a morar em Portugal.

O governo de transição em funções, com o aval dos comando militar que deu o golpe de Estado, tinha agendado eleições para a abril de 2013, mas o escrutínio já foi adiado para o final do ano, provavelmente em dezembro.

O país tem sido vítima de sucessivos golpes de Estado nos últimos anos.

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