Família de presidente deposto acolhida na RD Congo

A família do presidente deposto da República Centro-Africana, François Bozizé, foi acolhida na República Democrática do Congo, revelou hoje o porta-voz do Governo e ministro da comunicação social congolês, Lambert Mende.

"Uma vintena de pessoas, incluindo o filho, foram acolhidos e retirados da fronteira conforme as regras do direito internacional", disse Mende, escudando-se, "por razões de segurança", a revelar onde é que se encontram instalados.

"A transferência foi feita de acordo as regras internacionais, a 80 milhas (cerca de 100 quilómetros) da fronteira", disse o ministro, indicando que contou com a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

O presidente François Bozizé deixou no domingo a República Centro Africana depois de a capital, Bangui, ter sido tomada pelo movimento rebelde Séléka e de o seu líder, Michel Djotodia, se ter autoproclamado presidente do país.

Lambert Mende reafirmou ainda que François Bozizé não se encontra na República Democrática do Congo.

"Ele não estaria entre nós sem nos avisar", disse.

Segundo o responsável congolês, milhares de refugiados estão a atravessar a fronteira entre os dois países.

O paradeiro de François Bozizé continua desconhecido e, apesar de existirem relatos da sua fuga para a República Democrática do Congo, atravessando o rio Ubanguim, tanto o Congo como a República Democrática do Congo negam tê-lo acolhido.

François Bozizé foi deposto no domingo por rebeldes do Séléka que tomaram a capital e o palácio presidencial.

A cidade de Bangui caiu nas mãos dos rebeldes depois de uma ofensiva de três dias lançada pela coligação Séléka para derrubar o Presidente François Bozizé, a quem os rebeldes acusam de não respeitar os acordos assinados no início do ano.

A coligação Séléka lançou uma primeira ofensiva a 10 de dezembro de 2012 contra o regime de Bozizé para exigir respeito por vários acordos de paz assinados com o Governo, entre 2007 e 2011.

A coligação Séléka reclamava também a integração dos seus combatentes no exército, algo que não consta dos acordos de paz.

Os rebeldes retomaram as hostilidades esta semana depois de ter expirado um ultimato apresentado ao regime de Bozizé, que exigia o respeito dos acordos de Libreville.

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