EUA pediram cessar-fogo na RD Congo

Os Estados Unidos pediram hoje o cessar-fogo na República Democrática do Congo depois de o movimento rebelde M23 ter conquistado a cidade de Goma, no leste do país e na fronteira com o Ruanda.

Washington condenou a campanha militar dos rebeldes e considerou-a uma "afronta à soberania e à integridade territorial da República Democrática do Congo", declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, num comunicado, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

Além de pedirem o cessar-fogo e a entrega da cidade de Goma às autoridades da RD Congo, os Estados Unidos solicitaram a todos os países para "usarem a sua influência" de forma a que os rebeldes acabem "de imediato" com as hostilidades.

Neste sentido, Washington instou o Presidente congolês, Joseph Kabila, o Presidente ruandês, Paul Kagame, e o chefe de Estado ugandês, Yoweri Museveni, a manter um diálogo "direto" e "honesto" para encontrarem uma solução pacífica.

Por outro lado, defendeu a inclusão no debate de outros estados relevantes na região "para resolver as causas fundamentais da crise" e alcançar uma solução de longo prazo que permita garantir a estabilidade na região.

"Cremos que é fundamental que qualquer solução da crise inclua os líderes do M23 como responsáveis pelos abusos dos direitos humanos (que cometeram) e as violações do direito internacional", sublinhou Nuland.

O Movimento 23 de Março ou M23 é formado por um grupo de soldados congoleses amotinados e fiéis ao rebelde Bosco Ntaganda, procurado pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e contra a humanidade.

Nos últimos meses, a zona oriental da RDCongo tem vivido numerosas disputas entre o exército e rebeldes do M23, que se intensificaram em abril último para protestar pela perda de poder imposta pelo executivo de Kinshasa ao líder do M23, e pedem novas negociações com o Governo.

Centenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir de casa e a procurar refúgio no Ruanda e no Uganda devido a estes confrontos.

Ntaganda, com um amplo historial de motins, integrou-se há dois anos no exército da RD Congo ao contribuir para a pacificação de Kivu do Norte depois de ajudar a deter, em 2009,

Laurent Nkunda, antigo senhor da guerra e general do exército congolês.

A RD Congo ainda está imersa num frágil processo de paz depois da segunda guerra do Congo, de 1998 a 2003, na qual se viram envolvidos vários países africanos.

A maior missão de paz da ONU está destacada na RD Congo.

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