É injusta a pena de morte para 528 seguidores

A Irmandade Muçulmana do Egito classificou hoje como "injusta" e como "novo crime do golpe militar" a condenação à pena de morte de 528 dos seus seguidores, por ataques contra edifícios governamentais e esquadras da polícia.

No seu sítio oficial na Internet, a organização assinalou que os juízes egípcios estão "submetidos aos militares" e apontou que estas sentenças são "atos sem precedentes na história da Justiça".

Um porta-voz da Irmandade Muçulmana, entrevistado pela agência EFE, considerou que as condenações pretendem intimidar os manifestantes diante do iminente anúncio da candidatura às eleições presidenciais do chefe do Exército, Abdel Fattah al-Sisi.

O grupo islamita, declarado terrorista pelas autoridades egípcias em dezembro de 2013, denunciou que o tribunal não permitiu que fossem ouvidos os advogados de defesa e nem as suas testemunhas.

"Os cidadãos livres não serão intimidados por atos injustos, muito pelo contrário, isso aumentará a sua fé na revolução e na sua causa", advertiu a organização, em referência aos protestos convocados regularmente pelos seguidores do ex-Presidente Mohamed Morsi, deposto e preso em julho de 2013.

O porta-voz, que pediu anonimato por motivos de segurança, criticou o tribunal por estas sentenças "políticas", depois de somente duas sessões, que duraram pouco mais de cinco minutos cada.

Durante o processo, que começou no sábado, não foram apresentadas provas materiais e o juiz demonstrou que "não é imparcial", segundo este responsável do grupo islamita.

Os condenados foram considerados culpados de uma série de ataques a edifícios governamentais e esquadras de polícia na província de Minia, em protestos pelo desalojamento violento dos manifestantes islamitas acampados no Cairo, em agosto passado.

Um destes ataques teve como alvo a sede da polícia da cidade de Matai, onde foi assassinado um assistente do comissário, o coronel Mustafa Ragab.

Dos condenados, cerca de 140 encontram-se detidos e os restantes foram condenados à revelia.

O tribunal confirmará as sentenças a 28 de abril, uma vez emitido o parecer -- não vinculativo -- do mufti do Egito, Shauqi Alam, a máxima autoridade religiosa do país.

Desde o golpe militar de julho contra Morsi, milhares de seguidores da Irmandade Muçulmana têm sido presos e centenas deles sentenciados à prisão, mas até agora não se havia decretado penas de morte.

Morsi e outros dirigentes da Irmandade Muçulmana, entre os quais o guia supremo Mohamed Badia, estão presos e a ser processados por vários crimes.

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