Dirigentes tunisinos corridos à pedrada em Sidi Bouzid

O chefe de Estado tunisino, Moncef Marzouki, e o presidente do Parlamento, Mustapha Ben Jaafar, foram atacados à pedrada, hoje, por um grupo de manifestantes na localidade de Sidi Bouzid, onde se assinalava o segundo aniversário do início da revolução tunisina. Foi aí que Mohamed Bouazizi, um vendedor de frutas e legumes, se imolou pelo fogo, para protestar contra o abuso de poder da polícia.

Os ataques começaram após o discurso de Moncef Marzouki, quando Ben Jaafar se preparava para tomar a palavra. Os polícias no local retiraram os dois dirigentes no momento dos ataques, informou um jornalista da AFP.

Cantando 'o povo quer a queda do Governo', os manifestantes invadiram o local onde estava montada a tribuna para o chefe do Estado falar. Quando o Presidente tunisino tomou a palavra, vários na praça gritavam: "fora, fora", tal como fizeram contra o regime de Zine El Abidine Ben Ali, antes da queda do mesmo.

Apesar de insultado, Marzouki continuava a discursar e prometia progressos económicos, dentro de seis meses, para a população de Sidi Bouzid, num momento em que a pobreza e os altos níveis de desemprego estão no centro das revoltas.

"Eu entendo a vossa cólera, mas o Governo já diagnosticou a doença. Dentro de seis meses um governo estável estará implantado e providenciará os medicamentos necessários para curar a doença do país", declarou, acrescentando: "Pela primeira vez temos um Governo que não rouba o povo".

Marzouki já tinha sido insultado pelos manifestantes algumas horas antes, quando visitava o túmulo de Mohamed Bouazizi, o vendedor ambulante que se imolou pelo fogo a 17 de dezembro de 2010 em Sidi Bouzid, como parte dos protestos que levou o então presidente, Ben Ali, a renunciar ao poder. Bouzizi foi galardoado, a título póstumo, com o Prémio Sakharov 2011

No local estavam presentes vários radicais islâmicos, assim como membros do partido 'Hizb Ettahrir'.

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