Bozizé investigado por violação dos direitos humanos

O presidente deposto da República Centro-Africana François Bozizé vai ser investigado por alegados crimes contra os direitos humanos cometidos durante o seu regime e após o golpe de Estado de 24 de março, divulgaram hoje as autoridades locais.

"Dei instruções ao procurador-geral do tribunal de recurso de Bangui, porque crimes e outras graves violações dos direitos humanos foram cometidos, e continuam a ser, pelo ex-presidente François Bozizé, por elementos do seu círculo mais próximo e por alguns dos seus familiares", afirmou o ministro da Justiça, Arsène Sendé, em declarações à rádio estatal.

Em 24 de março, as forças do Séléka, uma aliança de quatro grupos rebeldes que atuavam há anos no norte da República Centro-Africana, derrubaram num golpe de Estado o presidente François Bozizé, que também subiu ao poder através de uma rebelião militar em 2003.

Entre os alegados crimes cometidos por Bozizé, o ministro da Justiça referiu "assassinatos, sequestros, detenções arbitrárias e tortura, destruição de casas, execuções sumárias e extrajudiciais, incitação ao ódio e ao genocídio, crimes económicos e atos de natureza comprometedora para a paz civil".

Entre os alegados assassinatos cometidos a mando do ex-presidente, o ministro mencionou o caso de 119 pessoas que foram executadas sumariamente pela guarda privada de Bozizé, liderada pelo capitão Eugène Ngaikosset.

O responsável também recordou o desaparecimento, em 2010, do coronel Charles Massi, antigo ministro e chefe da rebelião centro-africana Convenção dos patriotas para a justiça e a paz (CPJP).

O coronel foi "detido no início de 2010 no Chade e entregue as autoridades centro-africanas, tendo sido depois executado pela guarda privada do Presidente Bozizé", acrescentou Arsène Sendé.

Bozizé, de 66 anos, foi eleito presidente em 2005 e reeleito em 2011, numa votação que foi fortemente criticada pelas forças da oposição centro-africana. Após a entrada dos rebeldes em Bangui, em finais de março, o ex-chefe de Estado procurou refúgio nos Camarões.

Desde a tomada do poder pela coligação Séléka registaram-se vários confrontos, que já causaram pelo menos 119 mortos e 456 feridos, de acordo com um recente balanço da Cruz Vermelha centro-africana.

O conflito na República Centro-Africana já provocou a fuga de mais de 37 mil pessoas para os países vizinhos, segundo as Nações Unidas.

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