Bozié aguarda transferência em hotel de luxo dos Camarões

O Presidente deposto da República Centro-Africana, François Bozizé, está hospedado num hotel de luxo nos Camarões, onde se refugiou no domingo após um golpe de Estado no seu país, revelaram ontem fontes camaronesas.

"O senhor Bozizé chegou ontem [segunda-feira] a Yaoundé. Está instalado no hotel Hilton. Estão a decorrer negociações para que ele parta o mais rapidamente possível para outro país", disse uma fonte administrativa citada pela agência France Presse.

Segundo uma fonte dos serviços de segurança, Bozizé "chegou discretamente durante a noite. Foi posta à sua disposição uma pequena escolta".

Relatos de um repórter da France Presse dão conta de que vários elementos dos serviços de informações à civil estão a patrulhar o átrio do hotel.

Um dos agentes de segurança, falando sob anonimato, confirmou a presença do chefe de Estado deposto no hotel: "Está cá desde a noite passada. Recebemos instruções especiais, mas não posso dizer mais nada. Não falamos disso".

Na segunda-feira, a presidência dos Camarões anunciou ter acolhido François Bozizé "enquanto se aguarda a sua partida para outro país".

De acordo com um responsável do exército camaronês, François Bozizé "chegou aos Camarões pelo leste do país".

"É um antigo chefe de Estado que acaba de ser deposto e está cá ao abrigo do direito de asilo concedido a qualquer homem", acrescentou.

A família de François Bozizé chegou hoje de manhã a Kinshasa depois de, na segunda-feira, ter atravessado a fronteira para a República Democrática do Congo com a ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

"Estas pessoas irão decidir para onde querem ir", explicou o porta-voz do Governo congolês, Lambert Mende.

Segundo uma fonte aeroportuária, serão 28 os familiares de Bozizé que chegaram à República Centro-Africana.

O Presidente François Bozizé, 66 anos, que em 2003 chegou ao poder através de um golpe de Estado, foi deposto e forçado a abandonar o país, no domingo, quando o movimento rebelde Séléka tomou a capital centro-africana, Bangui.

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