A Helpo em Moçambique. A fábula dos 3 porquinhos, revisitada

O seu IRS pode ajudar a criar três novas salas de aula.

Mesmo arriscando a parecer-me com o mais alto (e o mais acéfalo...) dos Irmãos Dalton, pedi que me fotografassem ostentando o número 507 136 845 - o número de identificação fiscal da Helpo - precisamente naquele sítio: junto aos pilares e sobre o chão de cimento daquelas que serão em breve 3 novas salas de aula, em edifício sólido e totalmente equipado, da Escola Primária Completa (EPC) de Nawitipele, na Província de Nampula. O seu custo está estimado em 31 500 euros, o que ultrapassa um pouco os 30 711 euros, transferidos para a Helpo pelos contribuintes portugueses, em sede dos 0,5% de IRS.

À minha frente, estavam a ser produzidos os blocos que, depois de secos, encaixam uns nos outros e vão formar as paredes desta escola à prova das intempéries. Este aspeto é de capital importância para as edificações escolares em Moçambique. Dois dias depois desta visita à obra em Nawitipele, foi a Helpo convidada, tal como os outros parceiros da área da Educação, a participar da reunião de reflexão sobre a situação das calamidades naturais na Província de Nampula.

Este ano, a época das chuvas foi invulgarmente agreste na província. O relatório da situação fornece os seguintes dados: 1 118 497 alunos matriculados, da 1ª. à 12ª. classe; 2 098 Escolas Primárias (da 1ª. à 5ª. classe) e 908 Escolas Primárias Completas ( com 7 anos de escolaridade); e, ainda, 78 estabelecimentos do Ensino Secundário Geral. As chuvas e ventanias desde Outubro de 2014 - com a 1ª.semana de Março de 2015 particularmente calamitosa - levaram à destruição de 1164 salas de aula, afetando diretamente 30 mil alunos. Dois terços das salas destruídas são consideradas precárias: construídas em adobe e cobertas pelos ramos de macuti, à maneira tradicional. O restante terço, de construção mista (de pau-a-pique) ou de alvenaria resiste melhor. Aqui o problema reside na falta de supervisão da qualidade das construções em empreitadas públicas, o que leva a que chapas de zinco dos telhados, mal fixadas, sejam levadas pelas ventanias. Em Moçambique, as carências nas instalações escolares não se medem por falta de escolas, antes por falta de salas de aula de construção sólida, bem equipadas com carteiras, quadros, mesa e cadeira para os professores. Estamos perante uma verdadeira revisitação da Fábula dos 3 Porquinhos!

Torna-se, assim, urgente, reparar os danos das intempéries e ir substituíndo salas em adobe por salas em materiais a que aqui se designa por convencionais. Foi o que tive o prazer de testemunhar na EPC de Natchetche, com uma extensa comitiva de secretários distritais de Educação, liderados pelo diretor provincial de Educação e Cultura, que havia convocado a reunião de reflexão sobre as calamidades no setor. Com uma rapidez considerada fulminante pelo diretor da escola no seu discurso, foi possível, entre Janeiro e Março deste ano, reconstruir, com chapas melhoradas e acabamentos reforçados, o telhado que voara. Ao mesmo tempo, inaugurou-se uma biblioteca, anexa à escola. Ela foi erguida pela comunidade local, a pedido desta, com trabalho voluntário e materiais de construção cedidos pela Helpo.

Foi um dia feliz! Mas há ainda tanto por fazer, que a contribuição dos cidadãos em Portugal, através da sua consignação dos 0,5% de IRS em favor da Helpo se revela aquilo que é: preciosa! Mesmo que eu faça figura do mais obtuso dos Irmãos Dalton...

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