10 mil pessoas no funeral de vítima dos confrontos

Os confrontos de quinta-feira em Okmeydani, um bairro de Istambul, fizeram dois mortos e nove feridos. Uma das vítimas mortais foi Ugur Kurt, atingido por uma bala enquanto assistia a um funeral, não muito longe dos confrontos. Hoje 10 mil pessoas indignadas juntavam-se no seu funeral.

Depois da catástrofe na mina de Soma e a uma semana do aniversário das manifestações no parque Gezi, mais de 10 mil pessoas juntavam-se num bairro de Istambul para uma cerimónia em homenagem a Ugur Kurt, recente vítima da violência policial.

Em menos de 24 horas, duas pessoas foram mortas e nove foram feridas durante violentos confrontos que sobrevieram quinta-feira entre os manifestantes antigovernamentais e a polícia, no bairro de Okmeydani.

As forças de segurança dispararam para o ar balas verdadeiras, antes de visarem os manifestantes para os dispersarem, afirmaram testemunhas à AFP, confirmando as informações da imprensa.

A primeira vítima, Ugur Kurt, de 30 anos, encontrava-se num funeral quando foi atingido como uma bala na cabeça, não longe dos confrontos entre um grupo de manifestantes e a polícia.

O anúncio da sua morte lançou centenas de pessoas às ruas da megalópole, que enfrentaram as forças de segurança durante toda a noite.

"Estado assassino", "Vocês vão prestar-nos contas!", gritava a multidão pouco antes do começo da cerimónia em Okmeydani.

"Ele veio enterrar alguém ontem e hoje somos nós que o enterramos", desesperava Erkan, de 38 anos.

Sentado num banco, fuma cigarro atrás de cigarro. "Tayyip perdeu a cabeça", diz, denunciado "este terror" que, a seu ver, o Primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan instaura.

"É esta a nova Turquia", solta ele enquanto mulheres berram de dor um pouco mais longe.

"A polícia aterroriza este país", declara Simay, um jovem reformado.

A segunda vítima, um homem, de acordo com as imagens divulgadas nas redes sociais, gravemente ferido no decorrer dos confrontos que caracterizaram a noite, sucumbiu aos ferimentos na manhã de sexta-feira.

A meio do dia, novos incidentes esporádicos começaram em Okmeydani.

Foi aberto um inquérito para determinar as circunstâncias dos tiros e encontrar o autor do disparo de fogo mortal. Vinte armas de serviço da polícia foram recolhidas para análise balística.

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