Um campeão que não precisa da mão para nadar

O nadador português acumula medalhas em quase todos os campeonatos por onde passa. A última foi a prata nos campeonatos do mundo em México e está já em preparações para os jogos paralímpicos de 2020

David Grachat sai do balneário equipado. Faz o aquecimento, coloca a touca e óculos e atira-se para a piscina. A rotina repete-se todos os dias e todos os minutos contam num dia-a-dia passado na água.

A última medalha, a prata conquistada nos Mundiais de natação adaptada no ano passado, foi conseguida à custa de muito trabalho e incertezas. A prova foi suspensa devido ao terramoto que atingiu a Cidade do México em setembro do ano passado. "Foi ali um turbilhão de emoções porque pensávamos que [tinha sido] um ano perdido. Passados uns tempos recebemos a notícia que o campeonato do mundo ia ser em dezembro. Lá voltamos nós para a piscina. Tivemos que voltar a treinar tudo outra vez, fazer ali uns malabarismos para ver se conseguíamos pôr um pico de forma na altura do campeonato do mundo e assim foi. Fui vice-campeão mundial e foi o lugar mais alto do pódio que eu já subi. Foi espetacular", contou.

Antes desta medalha, David Grachat vinha já construindo uma carreira de alto nível. Conseguiu o bronze no Campeonato do Mundo de Glasgow em 2015, participou nos Jogos Paralímpicos de Pequim, Londres e Rio e conquistou muitos pódios na Europa. Mas nem sempre a natação adaptada foi a prioridade do atleta.

Carlos Mota, treinador de David há quase 20 anos, lembra que foi um castigo que aproximou o nadador da modalidade. "Esta felicidade de eu ter o David como meu atleta e um dos melhores atletas nacionais vem do facto de ele, em determinado momento da sua vida escolar, a coisa correu mal e, por castigo, os pais retiram-no do futebol e ele ficou apenas confinado à natação".

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