Trump

Adriano Moreira

Tempo perdido

Foi tranquilizante o afastamento do presidente Trump dos EUA da Europa organizada em União, e agora afastado do governo nacional, onde estava alheio à importância do mar que une as duas entidades, não se apercebendo da conclusão dos peritos de que o mar ficou perigoso em todo este tempo perdido, para ele se imaginar o apóstolo do globo que lhe concederia veneração. Essa ambição foi acrescentada, na véspera de a nação ter elegido outro americano, não apenas para responder ao novo período da pandemia, mas em consequência dar, não sinal, mas prova, de que a desordem do ali vigente modelo de Estado espetáculo terminaria, e que a desordem da democracia americana deixaria de ser o pensamento-guia das desequilibradas findas e futuras intervenções.

Afonso Camões

A desigualdade infeta

É chocante a revelação de que as maiores fortunas do mundo estão a crescer à razão de 800 milhões de dólares por dia. E choca também a notícia de que o maior crescimento relativo no comércio automóvel português está na venda de viaturas de luxo e de alta cilindrada. Isto, enquanto a gelada Filomena nos vem recordar que Portugal é um dos países onde mais se morre de frio e que uma em cada cinco das nossas famílias não tem recursos para sustentar o aquecimento das suas casas.