Marcelo

Afonso Camões

Marcelo e a espada de Eanes

Ainda bem. E que o Senhor o acrescente!, diria a minha sogra da reeleição de Marcelo. Eu acrescento que, por mais que festejemos um e justifiquemos os outros, o problema é o outro - ou pior, são outros. Um é aquele que multiplicou por sete o número de votos arrebanhados à esquerda e à direita, resultado da incapacidade do sistema para responder às chagas dos nossos dias: desemprego, medo, miséria, fome, doença - o calvário de gente, muita gente, gente nossa, com rosto, o da desigualdade persistente, que gera populismos, violência e ódio. Em jogo, diante de nós, encontram-se duas lógicas: a dos partidos tradicionais e a da sociedade. As eleições de domingo demonstraram que elas deixaram de coincidir.

Opinião

O que (não faz) falta!

O debate das rádios (Antena 1, Rádio Renascença e TSF), dedicado às presidenciais, cumpriu o seu propósito, com notável moderação e genericamente com boa argumentação. O estado de emergência dominou uma boa parte do debate, sobretudo a inicial, num instante demorado preenchido pela pandemia, sem impedir a discussão daí em diante, sobre a justiça, os poderes do Presidente, a Constituição, a formação do Governo dos Açores, passando, entre outros assuntos, pela regionalização. Tudo quanto, na minha opinião, importa para estas eleições e é possível introduzir e desenvolver num debate deste género. Pelo calendário - por ser o último encontro previsto entre todos os candidatos, antes do próximo dia 24 - e pelo contexto da pandemia - que transformou os media no palco primordial da campanha eleitoral - o debate nas rádios teve um papel importante, dentro daquilo que é a sua influência relativa na opinião pública e, em particular, no eleitorado.