Macron

Henrique Burnay

Um problema à distância

Apesar de a política europeia estar frequentemente refém de eleições nacionais - coisa de que os europeístas se queixam muito -, o resultado das presidenciais portuguesas é praticamente irrelevante para o destino da Europa. Por um lado, porque o vencedor faz parte do desconhecido Grupo de Arraiolos, que de tempos a tempos junta os chefes de Estado que não têm competências em matéria de política europeia, mas que, ainda assim, gostam de se encontrar. Por outro, porque nunca houve, e continua a não haver, uma questão europeia nas eleições presidenciais portuguesas. Nem nas restantes, nos últimos anos. Mas começa a haver um problema.

Adriano Moreira

Fundamentalismo terrorista

Quando o presidente da França foi surpreendido pelo cruel assassinato de Samuel Paty, professor de História e Geografia, em Conflans-Sainte-Honorine (Yvelines), por um jovem muçulmano, que o decapitou por ter utilizado caricaturas de Maomé numa das suas aulas, assumiu a indignação da França, afirmando que esta manteria a liberdade de ensinar, e a prática da vítima seria mantida: infelizmente, uma série de assassinatos cresceu em diferentes lugares da França, e depois fora, obrigando, para além das medidas de segurança e justiça, a recordar o famoso estudo de Nicolas Sarkozy, sobre O Estado, as Religiões e a Esperança, concluindo que "os muçulmanos já são a segunda religião da França", e advertindo "contra o fundamentalismo laico e contra o fundamentalismo religioso", acrescentando que "a República é uma maneira de organizar o universo temporal. É a melhor maneira de viver em comum. Mas ela não é a finalidade do homem: há ao mesmo tempo uma afirmação espiritual que a República não deve negar, mas que não é também de sua competência".