Joe Biden

Leonídio Paulo Ferreira

O aliado Portugal e a América de Biden

Calvin Coolidge, presidente dos Estados Unidos na década de 1920, recebeu António Ferro na Casa Branca e pediu-lhe que enviasse ao povo português una mensagem de amizade e confiança através do Diário de Notícias. O inesperado resultado do encontro na "White House", como escreveu então o jornalista (mais tarde contratado por Salazar para a propaganda do Estado Novo), aconteceu em 1927, o ano a seguir ao golpe do 28 de Maio, e confirmou que a mudança de regime não afetava as relações entre os dois países, velhos aliados. Quatro dias depois do 25 de Abril, também o reconhecimento da Junta de Salvação Nacional pelos americanos mostrava que a aliança, na altura já formalizada na NATO, era para manter. E sabe-se hoje como a diplomacia americana se esforçou em 1974 e 1975 para que a revolução não criasse um Portugal comunista.

Victor Ângelo

Suu Kyi e a nossa Ursula

Tencionava escrever sobre o golpe de estado em Myanmar. Sigo regularmente o que aí se passa, especialmente o papel das associações da sociedade civil na defesa dos cidadãos, os investimentos chineses e o seu impacto político, assim como a ação dos diferentes grupos armados de base étnica. A China, que é o segundo maior investidor estrangeiro no país - o primeiro é Singapura -, partilha com Myanmar uma longa fronteira e vê no seu vizinho sobretudo um corredor económico de acesso mais curto e direto ao golfo de Bengala. Esse corredor tem um interesse estratégico enorme para os chineses, quer para as importações de gás e de petróleo quer para as exportações para o Médio Oriente e África.