Francisco Ramos

Rosália Amorim

A perplexidade dos dias em que vivemos

Aos jornalistas cabe fazer perguntas, mas ultimamente há muitas que têm ficado sem resposta. Uma delas, realizada já há alguns dias pelo Diário de Notícias, prendia-se precisamente com o processo de vacinação e definição de prioridades no Hospital da Cruz Vermelha, sobre as quais, e em off, começavam a surgir dúvidas e reticências. Eis senão quando o coordenador da task force apresenta a sua demissão ontem à tarde por "irregularidades" no processo de vacinação da mesma unidade. Segundo um comunicado do Ministério da Saúde, trata-se de irregularidades detetadas pelo próprio "no processo de seleção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente do conselho de administração". O próprio Francisco Ramos, numa nota que enviou diretamente à imprensa, justificou a sua tomada de posição e disse que "ao tomar conhecimento de irregularidades no processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde do Hospital da Cruz Vermelha, do qual sou presidente da comissão executiva, considero que não se reúnem as condições para me manter no cargo de coordenador da task force para a elaboração do Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal. Assim, apresentei [na terça-feira], dia 2 de fevereiro de 2021, à senhora ministra da Saúde, a renúncia ao cargo", lia-se na nota.