Japão

Bernardo Pires de Lima

"Não há soberania no isolamento"

Mergulhados no pessimismo, desvalorizamos algumas dinâmicas aceleradas pela pandemia. Uma das mais importantes está no aprofundamento da integração económica e política regional, capaz de funcionar como contraponto às desgarradas aventuras do soberanismo revivalista. Além disto, a pandemia tem consolidado, até ver, importantes dinâmicas que a precederam. Uma delas é a transformação das economias pela via da transição energética mais consentânea com as metas ambientais. Apesar da inflexão dos EUA de Trump, entretanto corrigida por Biden, ninguém com peso nesta discussão abandonou a prioridade climática. Pelo contrário, a pandemia veio expor a urgência da colocação do bem-estar no centro das decisões políticas e da credibilidade das negociações multilaterais. De certa forma, ganhámos espaço para calibrar uma proposta social alargada em detrimento da sofreguidão clássica pelos resultados económicos. É também este ajustamento que está na base dos planos expansionistas de recuperação nos EUA e na União Europeia, isto se alocados no tempo e no modo de forma certeira ao longo desta década. Os empedernidos espíritos soberanistas têm que lidar com isto: foram os passos conjuntos da integração regional que criaram as condições para responder a estes dilemas estruturais.

Klaus Schwab

Um novo "ano zero"

O ano que se segue pode ser histórico, e de uma forma positiva. Setenta e cinco anos após o "ano zero" original que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, mais uma vez temos uma hipótese de reconstruir. O processo depois de 1945 foi literal: reconstruir a partir dos destroços da guerra. Desta vez, o foco está no mundo material, mas também em muito mais. Devemos almejar um grau mais alto de sofisticação social e criar uma base sólida para o bem-estar de todas as pessoas e do planeta.

Pedro Tadeu

O PCP apagou a Coreia do Norte?

A discussão à volta do XXI Congresso do PCP tem três grandes matérias: a realização da iniciativa durante o estado de emergência, a eleição das pessoas que vão dirigir o partido e o texto da Resolução Política. Ao fim de um dia de trabalhos, constato que o primeiro assunto parece que só interessa a quem está fora do PCP. Para os comunistas é apenas um bom pretexto para reclamar independência nas ideias e na ação e apontar motivos de perseguição política.

Entrevista a Tiago Moreira de Sá

Tiago Moreira de Sá: "Europa é quem tem razões para estar mais feliz com uma presidência Biden"

Em entrevista ao DN, Tiago Moreira de Sá, professor associado da Universidade Nova e investigador integrado do IPRI, garante que, a confirmar-se a vitória quase certa, o democrata tem a difícil tarefa de unir uma América tribalizada. Quanto a Trump, no pós-Casa Branca deverá continuar a influenciar o Partido Republicano.