Israel

Filipe Froes e Patricia Akester

Para o vírus não existem nem israelitas nem palestinianos, apenas fontes de contágio

Aqui reportámos recentemente que Israel lidera, de forma louvável, o processo de vacinação. Tendo assegurado um fornecimento colossal da vacina da BioNTech-Pfizer já administrou, segundo o respectivo Ministério da Saúde, uma dose de vacina a aproximadamente três milhões e duas doses a quase dois milhões dos seus cerca de nove milhões de habitantes. A estratégia, a precisão militar, o planeamento e a eficiência israelitas são impressionantes. Invejáveis mesmo, pensámos nós.

Opinião

E se a amizade de um sultão do século XVIII contar mais para a geopolítica do que Trump?

Não faltará quem queira ver no acordo de cooperação militar assinado em outubro entre o ministro da Defesa marroquino e o seu homólogo americano a explicação para o reconhecimento, dois meses depois, por Washington, da soberania de Rabat sobre o Sara Ocidental. Claro que a venda de armas é importante para a política externa americana, e Donald Trump começou logo a sua presidência com um gigantesco contrato assinado com a Arábia Saudita, assim como também serve os países compradores porque os coloca sob uma espécie de proteção dos Estados Unidos. Mas a estreiteza das relações entre os Estados Unidos e Marrocos não tem dois meses, nem sequer duas décadas (há quem note a cooperação com a CIA nos interrogatórios aos prisioneiros da Al-Qaeda capturados no Afeganistão e no Iraque), mas sim mais de dois séculos.