Irão

Adriano Moreira

Antes e depois da pandemia

Depois de cada uma das Guerras Mundiais que atingiram a redefinição do globalismo ocidentalista, o futuro imprevisível orientou os estadistas que, tendo vencido o conflito, assumiram a reconstrução desse futuro: aconteceu que com a Sociedade das Nações, que se mostrou esgotada perante o desatendido brilhante discurso do Negus da Etiópia, a pedir a intervenção contra a Itália cujo fascismo ambicionava partilhar o colonialismo: depois da breve paz, a Segunda Guerra Mundial, que inspirou o novo acolhimento da pluralidade religiosa, étnica, cultural, e política, que esquecia o castigo da Torre de Babel, a organização do globo, com expressão na ONU e na UNESCO, não impediu que a própria Europa ficasse dividida, até à queda do Muro de Berlim que, aproximando as metades da Europa, não conseguiu que a geral cooperatividade impedisse que o pluralismo de grupos acompanhasse também nela as ambições dos emergentes, sempre com ameaças ou violações da paz, até que a pandemia atacou esse todo plural de uma ameaça que não distingue etnias, crenças, regimes ou ambições.

Opinião

Pôr o século XXI no caminho certo

A maioria dos leitores lembrar-se-á do grande entusiasmo com que recebemos o início do século XXI. Foi uma época de grandes esperanças, editoriais grandiloquentes e uma ousadia verdadeiramente sentida por parte do Ocidente. No entanto, num piscar de olhos (historicamente falando), o espírito da época mudou radicalmente, mesmo antes da pandemia de covid-19. Para grande parte do mundo, este século foi um período de frustração e desilusão. Muitos olham agora para o futuro não com confiança, mas com medo.