Nápoles

António Araújo

Filide, nome de guerra

Morreu, enfim, rodeada da maior piedade. Deixou expresso que queria ser enterrada na igreja da sua paróquia e, à medida que o fim se aproximava, fez vários legados a instituições religiosas dedicadas à Virgem, para que, quando partisse, lhe rezassem missas pela alma impura. Na penúltima cláusula do testamento, atestado por um notário diligente, ordenou que um quinto dos seus bens fosse deixado às Convertidas (assim se chamavam aquelas que largavam o meretrício e a má vida) e o facto é tanto mais curioso quanto fora junto à casa dessa irmandade, encostada ao muro, que, durante anos, vendera o corpo em mortal pecado.

Exclusivo

Rogério Casanova

Diego Maradona (1960-2020)

Homens a tentar falar e a não conseguir, homens a chorar convulsivamente, homens a mastigar segundos inteiros de silêncio em directo: foi este o tema dominante da semana televisiva, pelo menos para quem tentou sintonizar canais argentinos. Noutros países, a coisa procedeu de maneiras menos operáticas, mas igualmente reverentes, com procissões de convidados a chegar aos estúdios munidos da matéria-prima dos obituários, prontos para explicar porque é que alguém que deixou de estar vivo na verdade não morreu. Muitos destes comentários incluíram a palavra "Deus".