França

Victor Ângelo

Le Pen e as nossas penas

Marine Le Pen veio a Portugal para apoiar o seu parente ideológico. A senhora é, em França, a face mais visível e feroz do extremismo de direita. O seu partido, o Rassemblement National (RN), é um apanhado de retrógrados, neofascistas, racistas, rufiães, antiglobalistas, bem como de vários órfãos políticos e outros ressabiados. A salgalhada inclui parte dos novos pobres, um proletariado que a modernização e a internacionalização da economia empurraram para os subúrbios da política e da vida. O RN representa um pouco mais de 20% do eleitorado, uma percentagem reveladora de uma França cheia de contradições, frustrações, desigualdades e ódios. Na cena partidária do país, Le Pen e os seus são olhados, incluindo pela direita conservadora, como nada recomendáveis, gente que não se deve frequentar.

Rogério Casanova

A máquina de fazer cadáveres esquisitos

Espoliados de alguns seus mecanismos habituais para assinalar a transição de um ano para o seguinte - directos de recintos repletos, vox pop com perguntas a transeuntes eufóricos ("quais são os seus desejos?") -, os canais terrestres apostaram tudo nos que ainda sobraram - o primeiro bebé do ano, o primeiro mergulho do ano, etc. - e delegaram o resto à própria grelha e às escolhas de programação, que foram neste ano um triunfo da falácia da forma imitativa.