Atlântico

Adriano Moreira

Tempo perdido

Foi tranquilizante o afastamento do presidente Trump dos EUA da Europa organizada em União, e agora afastado do governo nacional, onde estava alheio à importância do mar que une as duas entidades, não se apercebendo da conclusão dos peritos de que o mar ficou perigoso em todo este tempo perdido, para ele se imaginar o apóstolo do globo que lhe concederia veneração. Essa ambição foi acrescentada, na véspera de a nação ter elegido outro americano, não apenas para responder ao novo período da pandemia, mas em consequência dar, não sinal, mas prova, de que a desordem do ali vigente modelo de Estado espetáculo terminaria, e que a desordem da democracia americana deixaria de ser o pensamento-guia das desequilibradas findas e futuras intervenções.

Victor Ângelo

Mugabe e Trump, filhos do mesmo monstro

Apesar das boas notícias vindas do estado da Geórgia, o essencial da semana política americana deixou muitos de nós estupefactos, neste lado do Atlântico. Entre outros aspetos, veio lembrar-nos que a democracia é um combate sem fim, que nunca pode ser considerado como definitivamente ganho. Também nos mostrou que a existência de instituições sólidas permite defender a democracia, quando atacada por demagogos, oportunistas, charlatães, aspirantes a caudilhos ou meros arruaceiros. Mas, atenção, pois também vimos esta gente tentar servir-se das instituições para procurar consumar o assalto ao poder.