Guerras Mundiais

Adriano Moreira

Antes e depois da pandemia

Depois de cada uma das Guerras Mundiais que atingiram a redefinição do globalismo ocidentalista, o futuro imprevisível orientou os estadistas que, tendo vencido o conflito, assumiram a reconstrução desse futuro: aconteceu que com a Sociedade das Nações, que se mostrou esgotada perante o desatendido brilhante discurso do Negus da Etiópia, a pedir a intervenção contra a Itália cujo fascismo ambicionava partilhar o colonialismo: depois da breve paz, a Segunda Guerra Mundial, que inspirou o novo acolhimento da pluralidade religiosa, étnica, cultural, e política, que esquecia o castigo da Torre de Babel, a organização do globo, com expressão na ONU e na UNESCO, não impediu que a própria Europa ficasse dividida, até à queda do Muro de Berlim que, aproximando as metades da Europa, não conseguiu que a geral cooperatividade impedisse que o pluralismo de grupos acompanhasse também nela as ambições dos emergentes, sempre com ameaças ou violações da paz, até que a pandemia atacou esse todo plural de uma ameaça que não distingue etnias, crenças, regimes ou ambições.

Adriano Moreira

A grave crise americana

Independentemente do valor da soberania e da independência dos Estados, que se alargou com a intervenção do princípio do fim do colonialismo sobretudo ocidental, a regra da cooperação global orientou o encontro de todas as diferenças culturais, éticas, étnicas e religiosas, na ONU. Tratando-se de ter a paz como um valor assim reforçado, não seria realista deixar de prever, e antecipar, regras e condutas que viessem a repetir violações do direito internacional, que teriam como primeira resposta, impedindo o agravamento do contencioso, a criação de tribunais internacionais, com reconhecida autoridade judicial. Seria menos raro, na lógica dos apelos mais documentados pelas exigências, em que se destacam as duas Guerras Mundiais do século passado. Infelizmente não foi possível evitar guerras que exigiram lideranças personalizadas, para intervirem a favor ou contra as perceções políticas em confronto, sendo talvez Churchill o mais saliente estadista dos que ficaram na história (1939-1945), quando, enfrentando o nazismo alemão, gritou: "We shall fight on the beaches, we shall fight on the landing grounds, we shall fight in the fields and in the streets, we shall fight in the hill: we will never surrender." Lembrado nesta data inquietante em que a gravidade da pandemia parece cobrir de um nevoeiro espesso a desregulação da ordem internacional, e que vai como que sendo silenciada a integridade imaginada pelos fundadores da ONU.