europeus

Bernardo Pires de Lima

O debate vital

É bom que comecemos a alinhar expectativas. O desanuviamento diplomático proposto por Joe Biden é bem acolhido na Europa, mas ninguém está disponível para agir como se os últimos quatro anos não tivessem existido. Alemanha à cabeça. A recente sondagem do ECFR, feita a 15 mil europeus em 11 Estados, Portugal inclusive, coloca os alemães com a sensibilidade à flor da pele: a desconfiança com os EUA aumentou, será inevitável a predominância da China, o sistema político americano partiu-se, cresceu a vontade em autonomizar estratégias. Ou, como é mais comum dizer-se no léxico da comunidade alemã que faz e conduz a política externa, reforçou-se a ideia da "soberania europeia".

Bernardo Pires de Lima

Ilusão e realismo

A administração Biden tem sido arrumada sem sobressaltos, casos ou atropelos, recorrendo à experiência e à determinação de muitos que serviram presidentes democratas no passado recente. Só esta normalidade já é um feito político, no meio do caos administrativo deixado por Trump e do cerco democrático exposto pela invasão ao Capitólio. Tal como um presidente divisionista arrasta propositadamente multidões para a irreversibilidade da trincheira, também um presidente de perfil oposto tem mais capacidade para pacificar a sociedade, negociar legislação bipartidária, ser um promotor mais construtivo de soluções na frente externa. Se liderar pelo exemplo não é premissa oca, também a liturgia política precisa de dignidade restaurada.

Victor Ângelo

Le Pen e as nossas penas

Marine Le Pen veio a Portugal para apoiar o seu parente ideológico. A senhora é, em França, a face mais visível e feroz do extremismo de direita. O seu partido, o Rassemblement National (RN), é um apanhado de retrógrados, neofascistas, racistas, rufiães, antiglobalistas, bem como de vários órfãos políticos e outros ressabiados. A salgalhada inclui parte dos novos pobres, um proletariado que a modernização e a internacionalização da economia empurraram para os subúrbios da política e da vida. O RN representa um pouco mais de 20% do eleitorado, uma percentagem reveladora de uma França cheia de contradições, frustrações, desigualdades e ódios. Na cena partidária do país, Le Pen e os seus são olhados, incluindo pela direita conservadora, como nada recomendáveis, gente que não se deve frequentar.