alemão

Viriato Soromenho Marques

De excomungado a reformador

No terceiro dia do ano, completou-se meio milénio sobre a excomunhão de Lutero (1483-1546), num processo de golpe e contragolpe, entre o jovem clérigo alemão e o papado, iniciado em 1517 com o ataque público e publicado do primeiro às Indulgências. Prosseguindo com a total pulverização do mapa teológico-político da Europa, na sequência da transformação desse protesto individual em Reforma Protestante (escrevi sobre isso no DN de 01.11.2017). O triângulo do universalismo medieval (uma religião, um Papa, um Imperador) há muito que escondia um vulcão à espera de entrar em erupção. Em 1511, Erasmo (1466-1536) tinha oferecido a um círculo restrito e ilustrado de leitores, o Elogio da Loucura, em que a natureza "humana, demasiado humana" do clero cristão era denunciada com mordacidade.

Leonídio Paulo Ferreira

Calendário gregoriano, arma geopolítica do Ocidente

Os dois mais famosos gracejos a homenagear o triunfo do Calendário Gregoriano são o que relembra que a Revolução de Outubro afinal ocorreu em novembro e o que cita Benjamin Franklin a dizer ser "agradável para um velho homem poder ir deitar-se a 2 de setembro e não ter de acordar até 14 de setembro". Ambas as blagues resumem na perfeição o que aconteceu com o abandono do calendário juliano: uma atualização de 12 dias na forma de medir a era cristã, decretada por um Papa no final do século XVI mas calculada por cientistas como o alemão Cristóvão Clávio.