alemães

Rosália Amorim

A perplexidade dos dias em que vivemos

Aos jornalistas cabe fazer perguntas, mas ultimamente há muitas que têm ficado sem resposta. Uma delas, realizada já há alguns dias pelo Diário de Notícias, prendia-se precisamente com o processo de vacinação e definição de prioridades no Hospital da Cruz Vermelha, sobre as quais, e em off, começavam a surgir dúvidas e reticências. Eis senão quando o coordenador da task force apresenta a sua demissão ontem à tarde por "irregularidades" no processo de vacinação da mesma unidade. Segundo um comunicado do Ministério da Saúde, trata-se de irregularidades detetadas pelo próprio "no processo de seleção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente do conselho de administração". O próprio Francisco Ramos, numa nota que enviou diretamente à imprensa, justificou a sua tomada de posição e disse que "ao tomar conhecimento de irregularidades no processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde do Hospital da Cruz Vermelha, do qual sou presidente da comissão executiva, considero que não se reúnem as condições para me manter no cargo de coordenador da task force para a elaboração do Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal. Assim, apresentei [na terça-feira], dia 2 de fevereiro de 2021, à senhora ministra da Saúde, a renúncia ao cargo", lia-se na nota.

Bernardo Pires de Lima

O debate vital

É bom que comecemos a alinhar expectativas. O desanuviamento diplomático proposto por Joe Biden é bem acolhido na Europa, mas ninguém está disponível para agir como se os últimos quatro anos não tivessem existido. Alemanha à cabeça. A recente sondagem do ECFR, feita a 15 mil europeus em 11 Estados, Portugal inclusive, coloca os alemães com a sensibilidade à flor da pele: a desconfiança com os EUA aumentou, será inevitável a predominância da China, o sistema político americano partiu-se, cresceu a vontade em autonomizar estratégias. Ou, como é mais comum dizer-se no léxico da comunidade alemã que faz e conduz a política externa, reforçou-se a ideia da "soberania europeia".