Exclusivo Há doentes de 20 e 30 anos internados em cuidados intensivos e com formas graves da doença

A primeira vaga da pandemia mostrou-o, a segunda está a reforçar: o SARS-CoV-2 ataca pessoas de todas as idades, saudáveis ou com doenças. Os internamentos nos cuidados intensivos provam-no. Às unidades estão a chegar doentes a partir dos 20 anos. A maioria tem obesidade, diabetes e hipertensão. Mas também chegam outras formas graves da doença, como enfartes ou encefalites, porque o vírus atingiu o coração ou o cérebro, alguns eram doentes assintomáticos. Quanto maior o número de infetados, maior a probabilidade de ali ir parar. Médicos e diretores de UCI do Sul aguardam preocupados o que aí vem e esperam que "a racionalidade das decisões não seja ultrapassada pelas emoções".

A unidade de cuidados intensivos (UCI) do Hospital Garcia de Orta tem recebido doentes de 22, 35, 47 e 49 anos - este último acabou por falecer. A UCI do Hospital de Santa Maria tem um doente de 22 anos, mas tem recebido "doentes de todas as idades", confirma João Ribeiro, diretor da unidade. A UCI do Hospital de São José, que foi o centro de referência para toda a zona sul na primeira fase da pandemia, tem recebido doentes entre os 29 e os 47. Não são muitos os casos nas faixas etárias mais jovens, mas são em número suficiente para os médicos lançaram também um alerta:"É preciso que as pessoas tenham a noção de que a população mais jovem infetada também desenvolve formas de doença grave."

Os casos que nos contam são de uma faixa etária que inicialmente até se pensava que iria ser a menos atingida pela doença, e que quando o fosse seria de forma ligeira. Mas afinal não. Há casos que do ponto de vista clínico surpreendem, pelas complicações que acarretam e pelos cuidados que exigem. Os doentes recebidos nestas três unidades da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tiveram necessidade de cuidados de fim de linha, dos cuidados da medicina intensiva, e como eles outros irão necessitar também. Para os médicos é claro como a água, e está definido na literatura da medicina intensiva, que quantos mais casos de infeção na comunidade, maior é a probabilidade de mais doentes chegarem às UCI.

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