Maioria dos portugueses quer Eduardo Cabrita fora do governo

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, não tem condições para se manter no cargo. É a opinião de 65% dos inquiridos na sondagem DN, JN e TSF.

O ministro da Administração Interna (MAI) já não tem condições de se manter no cargo. É a sentença de dois terços dos portugueses (65%), de acordo com o barómetro da Aximage para o DN, o JN e a TSF, quando confrontados com o que já sabem sobre o homicídio do cidadão ucraniano Ihor Homeniuk, a 12 de março, no aeroporto de Lisboa. As qualidades políticas de Eduardo Cabrita não convencem sequer os eleitores socialistas, que também lhe mostram o cartão vermelho: 52% dos eleitores do PS entendem que Cabrita deve sair do governo.

O escândalo ganhou novo fôlego durante o mês de novembro, na sequência da acusação do Ministério Público contra três inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), por homicídio qualificado, e da conclusão do inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna, que abriu processos disciplinares a mais nove inspetores daquele serviço de segurança que por ação ou omissão também contribuíram para a morte de Ihor.

Vários artigos do DN foram entretanto revelando incongruências, contradições e falhas de informação por parte quer do ministro da Administração Interna quer da ex-diretora nacional do SEF, Cristina Gatões, demitida logo após ter sido noticiado por este jornal que sabia do crime, pelo menos, desde 19 de março - quando só demitiu o diretor e o subdiretor responsáveis pelo SEF no aeroporto, a 30 de março, depois da Polícia Judiciária ter detido os três inspetores por suspeita de homicídio. Já em dezembro, o caso teve reflexo político com a intervenção do Presidente da República, que pediu a mudança de protagonistas e admitiu a extinção do SEF, bem como com o anúncio de que está em curso uma reestruturação profunda daquela força policial e, finalmente, António Costa a segurar o ministro no cargo, afirmando que Eduardo Cabrita "fez o que lhe competia fazer".

A grande maioria dos portugueses não está de acordo com o primeiro-ministro. Esta sondagem revela ainda que 97% dos inquiridos conhecem ou já ouviram falar deste caso. A conclusão de que Eduardo Cabrita não tem condições para se manter à frente do ministério é quase unânime em todos os segmentos da amostra: faixas etárias, regiões, classes sociais (exceto os mais pobres) e eleitorados partidários. Nem os socialistas lhe dão o benefício da dúvida: 52% defendem a sua saída do MAI, contra 41% que vislumbram ainda condições políticas para continuar como ministro. A totalidade dos eleitores do CDS, 77% do PSD e outros tantos do BE, 52% do PCP, 62% do PAN, 89% do Chega e 82% da Iniciativa Liberal também querem Cabrita fora.

Entre os que querem ver Eduardo Cabrita de saída do Ministério que tutela o SEF destacam-se os residentes no Porto e os do Norte, os que têm rendimentos mais elevados.

"Ministro é obstáculo a acordos com o PSD"

A incompetência do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, é um real obstáculo a acordos com o PSD, que foram durante muitos anos tradicionais, em áreas de soberania", assinala o deputado do PSD Duarte Marques, que tem sido o porta-voz do partido para o caso de Ihor Homeniuk. Em reação à sondagem publicada nesta edição, segundo a qual 65% dos portugueses entendem que o ministro não tem condições para estar no cargo, Duarte Marques manifesta a sua "satisfação pelo facto de a maioria dos portugueses estar de acordo com o PSD. E se o maior partido da oposição vai ao encontro daquilo que pensa a maioria dos portugueses, quer dizer que representamos esta maioria. É uma derrota para o governo e para o PS".

Por seu lado, a deputada Beatriz Gomes Dias, do BE - partido que, tal como o PSD, tem 77% dos eleitores a querer a demissão de Cabrita -, entende também que o ministro da Administração Interna "não tem condições políticas para continuar". A bloquista lembra o "silêncio" de meses de Eduardo cabrita sobre o caso, a "falta de respostas", e recorda o "vasto conjunto de alertas que tinham sido dados pela Provedoria de Justiça, que foram ignorados". Para Beatriz Gomes Dias, "tudo isto é inadmissível e é preciso passar uma mensagem inequívoca à sociedade de que estão a ser tomadas todas as medidas que previnam situações como a de Ihor".

Contactado pelo DN, o conselheiro de Estado e comentador político Marques Mendes assinala: "Os resultados da sondagem confirmam largamente a opinião que manifestei há duas semanas. O MAI não tem condições políticas para continuar. A questão não é pessoal. O ministro não cometeu qualquer crime. A questão é de responsabilidade política. O ministro não agiu como devia. Limitou-se a reagir tarde e em função da pressão mediática."

Marques Mendes recorda que "são vários os que elogiam Jorge Coelho, por se ter demitido quando caiu uma ponte, apesar de não ter culpa da tragédia. Mas são poucos os que seguem o seu notável exemplo. Neste caso, justificava-se que o MAI seguisse o mesmo exemplo de Jorge Coelho. Falta coragem para o fazer. Mau para a democracia."

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