Mau exemplo na TAP para fechar 2020

O ano de 2020 está quase a acabar, mas não deixa de nos surpreender. Pela positiva, com o regresso às bancas todos os dias do Diário de Notícias em papel, cujo primeiro número saiu ontem e que assinalou também os 156 anos deste título de comunicação social, e de que voltarei a falar mais adiante. Pela negativa, com as notícias que nos chegam da TAP e que não passaram despercebidas aos portugueses, incendiando nas últimas horas as redes sociais e criando uma onda de contestação, com fundamento. Administradores da TAP foram aumentados ao longo dos últimos meses, entre eles o CEO interino, Ramiro Sequeira, o qual, segundo as informações tornadas públicas (ainda não confirmadas), beneficia de um aumento superior a 100%, auferindo cerca de 500 mil euros por ano.

Numa altura em que a TAP está prestes a fazer um grande despedimento e numa conjuntura em que as perdas de faturação da companhia batem todos os recordes negativos, devido ao impacto da pandemia, até parece anedota aumentar as lideranças! Aliás, são precisamente as lideranças que devem dar o exemplo - e sei do que falo, não só pela experiência acumulada noutros grupos de comunicação social, mas também na atual, no universo do Global Media Group, que atravessa uma reestruturação com mexidas nos salários de topo. Liderar pelo exemplo é um princípio que deve guiar todos os que têm funções de responsabilidade, seja no setor privado seja no público. Pois é exatamente o contrário que está a acontecer na TAP, que optou por aumentar o CEO e subir salários numa administração que gere uma empresa falida. Mais, o ministro que tem a pasta, Pedro Nuno Santos, tem criticado os pilotos e os seus salários, sempre que justifica os despedimentos na TAP, mas vê esta situação a acontecer nas suas barbas. Esta é a mesma companhia que está a pedir uma injeção de capital ao Estado, cujos contribuintes acabarão por pagar essas ajudas mais cedo ou mais tarde, mas não se inibe de engordar ordenados no topo da pirâmide, com exceção de Miguel Frasquilho, chairman, que abdicou (ou foi convidado a abdicar) do aumento.

Liderar pelo exemplo é estar presente e comprometido nas horas boas e nas horas más, arregaçar as mangas, ir ao terreno. Foi o que tentei fazer no relançamento do jornal diário em papel, acompanhando ontem os ardinas que promoveram a edição em vários pontos de capital, indo aos quiosques que vendem o jornal e que, por ocasião dos 156 anos do DN, ofereceram aos leitores uma garrafa de espumante para que todos possam celebrar connosco. Os projetos e as equipas fazem-se de grandes, mas também de pequenos gestos.

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