Açores. PS quer falar à "esquerda e à direita". CDS disputado

PS e PSD andam a contar espingardas para formar governo nos Açores. O CDS é disputado à esquerda e à direita, mas também o PAN. Nada está garantido na região autónoma.

A política fervilha nos Açores. As conversações entre partidos são intensas, depois de o quadro político na região autónoma ter ficado indefinido quando à solução de governo. O PS perdeu a maioria absoluta e a direita domina o Parlamento Regional. O PSD ensaia uma geringonça alternativa à de um do executivo do socialista Vasco Cordeiro. A aliança com o CDS estará garantida para quem? PS e PSD estão a disputar o apoio dos centristas e do PAN também.

O PSD de José Manuel Bolieiro precisará do CDS e do PPM para tentar formar um executivo e ainda do Iniciativa Liberal (IL) e do Chega para compor a máquina do apoio parlamentar a um programa de governo e até ao orçamento da região.

Mas a contabilidade continua a ser complexa e as negociações também. PS, que teve apenas 25 mandatos, numa assembleia legislativa regional com 57, só tem mais dois mandatos à esquerda para tentar cativar, os do BE, e eventualmente um do PAN. O que não chega para Vasco Cordeiro ter apoio para governar. É por isso que o antigo líder do Governo Regional dos Açores e presidente do PS já apontou a mira ao partido que poderá ajudar a compor o ramalhete aos socialistas. O CDS.

"O CDS é, historicamente, um interlocutor privilegiado do PS na Região, num diálogo continuado e com provas dadas, em boa parte também justificado pelo posicionamento moderado do PS na Região. Mas não basta, terá de ir além. E qualquer que seja o governo, deve evitar soluções precárias."

Num vasto post no Facebook, Carlos César admite que "Vasco Cordeiro tem, como já disse, uma missão complexa à sua frente para formar governo, e, mais ainda, o direito e o dever, determinado pelos resultados do sufrágio, de o fazer. Fê-lo, na própria noite eleitoral, na procura de uma solução de estabilidade e de segurança para os Açores. Mas essa é, também, uma responsabilidade de outros partidos que queiram, efetivamente, colocar os Açores e os açorianos primeiro". E faz apelo à solução encontrada há 24 anos para governar.

"O CDS é, historicamente, um interlocutor privilegiado do PS na Região, num diálogo continuado e com provas dadas, em boa parte também justificado pelo posicionamento moderado do PS na Região. Mas não basta. Terá de ir além. E, qualquer que seja o governo, deve evitar soluções precárias."

Aos sociais-democratas deixa a provocação do eventual encosto ao Chega. "O PSD-Açores só poderá constituir governo com cinco partidos e associado por alguma forma ao Chega. Será capaz de chegar a tanto? E, mesmo que assim chegue, por quanto tempo?"

No PSD, com 21 mandatos, há também a esperança, sem certezas absolutas, de que tudo se encaminhará para que a geringonça à direita seja possível. Uma geringonça que inclua o CDS (três mandatos) e o PPM (dois mandatos) e que conte com o apoio parlamentar do Chega (dois mandatos) e do IL (um mandato), o que garantiria a maioria necessária de 29 deputados regionais.

"O CDS foi um partido determinante para tirar a maioria absoluta ao PS e é um partido fundamental e insubstituível para a mudança que os Açores precisam. O CDS-PP é a direita que soma e não que fratura e divide, vai estar certamente à altura das suas responsabilidades, e os órgãos regionais do partido saberão ler a vontade de mudança que os açorianos expressaram", disse na noite das eleições o líder centrista.

E apesar de Francisco Rodrigues dos Santos não ter clarificado se a "solução" poderia passar por um apoio ao PS, como aconteceu em 1996, na primeira vitória dos socialistas nos Açores e sem maioria absoluta, fontes do partido garantem ao DN que é o "PSD o parceiro natural de coligação". Mas também a ideia de que cabe ao partido de Rui Rio construir essa alternativa.

"O CDS foi um partido determinante para tirar a maioria absoluta ao PS e é um partido fundamental e insubstituível para a mudança que os Açores precisam. O CDS-PP é a direita que soma e não que fratura e divide, vai estar certamente à altura das suas responsabilidades e os órgãos regionais do partido saberão ler a vontade de mudança que os açorianos expressaram."

Do Chega veio uma posição mais complexa, mas que segundo a convicção dos sociais-democratas não impede que Bolieiro possa vir a governar. Na noite eleitoral, no domingo passado, André Ventura excluiu uma coligação à direita. "Chega não governa com partidos do sistema", disse. "Governar é uma coisa, outra é deixar passar o programa de governo", frisa ao DN uma fonte social-democrata, que recorda que o líder regional do Chega também rejeitou qualquer possibilidade de apoio ao PS de Vasco Cordeiro.

O porta-voz do PAN na região autónoma, Pedro Neves, que também se estreia no parlamento regional, admite que está "tudo em aberto" relativamente a uma solução governativa para a região, mas garante estar disponível para dialogar com toda a gente: "Estamos obviamente abertos a ouvir e a negociar com os outros partidos. Queremos perceber que projeto político têm a apresentar. Não somos um partido de esquerda ou direita, mas de pontes e convergências", disse ao Expresso.

As conversações são vitais para chegar a uma solução de governo. Quem apresentar a solução mais estável terá maior possibilidade de ser indigitado por Pedro Catarino, o representante da República nos Açores, que, pelo Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma, tem esse poder.

A lei indica que o representante da República, Pedro Catarino, nomeará o novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos" representados no novo Parlamento açoriano e começará esse processo no domingo.

Após a tomada de posse do próximo executivo açoriano, seja lá qual for o formato que vier a ter, haverá um prazo máximo de dez dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia Legislativa.

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