Rio, de subestimado a admirado

Rui Rio terá sido subestimado por muitos? Talvez. O seu ar austero e até, por vezes, a sua falta de jeito para comunicar ou discursar à político - pagando a fatura de, em tantos momentos, ter sido transparente demais - fizeram com que uma parte do partido laranja cantasse vitória a Rangel antes de tempo, quando outra fação se movimentava em torno de Rio.

Parte do chamado país real social-democrata, que vive e trabalha fora dos territórios urbanos, cosmopolitas e europeístas, continuou a rever-se mais na franqueza de Rio do que no discurso tecnocrata e sofisticado de Rangel. A diferença de votos foi curta, mas o suficiente para reeleger Rio pela terceira vez à frente do PSD, legitimando a liderança de um homem que tantos já davam como derrotado ou morto para a política. Ressuscitado, no discurso de vitória começou por atacar os adversários e diz-se pronto para disputar (e ganhar) as eleições legislativas frente a António Costa ou para, com ele, fazer uma aliança e reerguer uma nova era do bloco central.

Se depois dos bons resultados nas últimas eleições autárquicas Rio já se sentia empoderado, agora, com esta terceira vitória dentro do partido, renasceu de vez das cinzas, qual Fénix!

Se a política é imprevisível, e também por isso tão vibrante e viciante, o futebol não o é menos. Primeiro, a boa notícia do mundo da bola: Abel Ferreira ganhou a Taça Libertadores, um marco para o futebol. O treinador lusitano conduziu a equipa do Palmeiras à segunda vitória consecutiva na Taça Libertadores e provocou um autêntico delírio nos milhares de adeptos do clube, que festejaram o bis nesta competição.

Infelizmente, a bola não gira só em torno das vitórias e celebrações e, por vezes, leva o futebol para caminhos sombrios e desnecessários. A má notícia do último fim de semana foi aquela espécie de jogo a que assistimos entre a Belenenses SAD e o Benfica e que não deveria ter sido realizada. Se nenhum dos clubes pediu o adiamento do jogo, é caso para perguntar: por que razão essa iniciativa não partiu do presidente da B SAD? E para que serve a Liga e a Federação? Só atuam a pedido? Não têm vocação para ser proativas?

Da DGS é que não será a culpa, já que não tem poderes para decidir acerca da realização de jogos de futebol. Com 17 infetados de covid, a B SAD entrou em campo só com nove jogadores e ninguém no banco. Ao intervalo perdia já por 7-0. Pudera! Ainda voltou ao campo com sete jogadores e logo outro se sentou no relvado e pôs fim à noite negra no futebol português. A pergunta final é: para que serviu tudo isto? Situações como esta em nada dignificam o futebol nacional, que já foi motivo de chacota na imprensa internacional. Após quase dois anos a viver em pandemia, será que ninguém aprendeu a acautelar e a evitar bizarrias como esta?

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