Donativos das empresas ao setor social atingiram os mil milhões nos últimos cinco anos

As entidades de carácter social representam 10% do universo total de organizações ativas em Portugal. Só na última década nasceram 24 mil.

Os donativos das empresas ao setor social atingiram quase mil milhões de euros nos últimos cinco anos. Só em 2019, houve 65 mil entidades a contribuir para IPSS, associações e fundações diversas, representando mais de 20% do tecido empresarial. Estes são dados da Informa D&B, que conclui que quase metade das grandes empresas fizeram donativos, sendo responsáveis por 45% do montante total. Os restantes 55% foram assegurados por um número "muito significativo" de pequenas e médias empresas.

A pandemia de covid-19 deverá lançar "novos desafios de sustentabilidade" a estas entidades, acredita a diretora-geral da Informa D&B. Teresa Cardoso de Menezes admite que, "com as eventuais reduções nas suas fontes de financiamento, que serão canalizadas para atenuar os efeitos da crise, estas organizações terão de apelar ainda mais à responsabilidade social de todos para garantir a sua continuidade".

E o Estado tem aqui também um importante papel, designadamente através da contratação de bens ou serviços. Nos últimos cinco anos, e segundo os contratos públicos publicitados no Portal Base até março de 2020, o Estado contratou bens e serviços a estas entidades no valor de 256 milhões de euros, em especial a associações culturais, de apoio social e humanitário, a entidades científicas e de investigação e a associações humanitárias de bombeiros. Quase metade dos montantes contratados foram da responsabilidade de câmaras municipais.

Os números da consultora mostram ainda que, na última década, nasceram em Portugal 24 mil entidades do setor social, uma média de 2200 a cada ano. No mesmo período desapareceram 1014. Ao todo, existem atualmente 68 mil entidades do setor social, que representam 10% do universo total de organizações ativas no país. A esmagadora maioria (91%) são associações, as entidades religiosas pesam 7% e as fundações são apenas 1%. Significativo é que mais de 40% destas entidades acumulam já mais de 20 anos de experiência.

Quase 40% das entidades estão localizadas nos distritos de Lisboa e Porto, que acolhem 42% da população e 46% das empresas do país.

"O setor social tem uma enorme presença na transformação, cooperação e inovação social, assumindo frequentemente um papel de complemento à ação do Estado. O estudo que realizámos visa aprofundar o conhecimento sobre este setor, um conhecimento que será importante para gestores de empresas, decisores públicos e particulares tomarem decisões sobre investimento, apoios ou parcerias, das quais depende também a sua própria sustentabilidade", diz Teresa Cardoso de Menezes.

Para colmatar a falta de informação sobre este setor, a Informa D&B desenvolveu um modelo estatístico com um indicador preditivo (risco de viability) que mede a probabilidade de encerramento da atividade nos 12 meses seguintes. E conclui que "mais de metade (52%) das entidades do setor social têm um risco mínimo ou reduzido", sendo certo que as fundações têm o risco "mais elevado" e as entidades religiosas, o "mais baixo".

Os fundos europeus têm também um "peso muito relevante" na sustentabilidade destas organizações de propriedade privada sem fins lucrativos, já que 63% das entidades que receberam fundos comunitários têm um risco viability mínimo, sendo que das que não os receberam, só 19% têm esse grau de risco.

O estudo mostra ainda que, apesar da idade média bastante superior à das empresas privadas (21 anos versus 13), o setor social "está a mostrar também uma capacidade de renovação que corresponde às mais recentes necessidades". As entidades mais jovens são, maioritariamente, as associações de proteção civil, de proteção de animais e de turismo.

Em relação a geografias, o setor social está distribuído de forma equivalente à população e às empresas: quase 40% das entidades estão localizadas nos distritos de Lisboa e Porto, que acolhem 42% da população e 46% das empresas do país. É também nestes dois distritos que se concentram os centros de decisão política e das grandes empresas e onde está localizado o maior número de fundações e associações económicas e políticas.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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