Dez novos navios para a Transtejo chegam a partir de 2022

Estaleiros de Peniche estão entre os 4 candidatos a fornecer os barcos elétricos. Contrato será assinado em outubro. Negócio deverá custar 57 milhões de euros

Há quatro empresas interessadas em vender 10 navios elétricos à Transtejo. O vencedor será anunciado em outubro e as primeiras novas embarcações deverão chegar ao rio Tejo a partir de 2022. Os novos barcos vão renovar a frota da transportadora fluvial e contribuir para a diminuição de emissões, indica ao Dinheiro Vivo o secretário de Estado da Mobilidade, Eduardo Pinheiro.

"Está prevista a entrega de quatro embarcações em 2022 e 2023; as restantes duas vão chegar em 2024. Quanto mais depressa isso acontecer, melhor para os passageiros", garante o governante. Eduardo Pinheiro reconhece que este concurso tinha "algum risco", atendendo a que a operação da Transtejo "é única a nível mundial".

Os 10 novos navios vão custar, no máximo, 57 milhões de euros e "vão proporcionar maior conforto aos utentes" das ligações entre Lisboa, Cacilhas, Seixal e Montijo. Estão em causa três milhões de habitantes na Área Metropolitana de Lisboa.

Os Estaleiros Navais de Peniche são um dos quatro candidatos neste concurso. A empresa detida maioritariamente por capitais angolanos vai a jogo com os espanhóis da Astilleros Gondan, da região das Astúrias; dos Países Baixos, concorre a Holland Shipyards; está também neste lote a empresa de Singapura Majestic Glow Marine.

Estes concorrentes seguem para a fase de análise de propostas, com três critérios. A qualidade técnica dos navios é o principal requisito: características como a autonomia, consumo e sistemas de propulsão representam 45% da pontuação final. O fator preço surge em segundo lugar, com uma fatia de 40% nas contas finais. Sobram 15% para o prazo de entrega dos navios.

Eduardo Pinheiro conta assinar contrato com o vencedor em outubro, "para depois obter o visto do Tribunal de Contas". O novo coronavírus atrasou, em três meses, a conclusão deste concurso, assume o secretário de Estado. "Em janeiro, prevíamos a adjudicação logo no início do segundo trimestre deste ano. Com a pandemia, foi necessário prolongar o concurso e houve algum atraso."

Além de diminuírem a poluição da frota, as novas embarcações também vão permitir poupar custos de manutenção. "Os novos navios são mais fiáveis do que os modelos a combustão ou mesmo a gás natural".

Atualmente, a Transtejo conta com 28 navios, dos quais 18 são catamarãs (para Montijo, Barreiro e Trafaria), 5 são cacilheiros, 3 são ferries para passageiros e veículos, e ainda 2 são monocasco.

Segundo concurso

Este é o segundo concurso para a compra de 10 novos navios para a Transtejo. O concurso de 2019, para embarcações a gás natural, foi anulado por incumprimento de requisitos.

Menos poluição

A frota da Transtejo consumiu cerca de 5,2 milhões de litros de gasóleo e emitidas mas de 13,1 mil toneladas de dióxido de carbono. Os números vão diminuir com a renovação da frota.

Carregamento como carros

Os 10 novos navios "vão ter um sistema de carregamento nas docas, similar aos dos carros elétricos", explica Eduardo Pinheiro. Os equipamentos para carregar os navios estarão em terra.

Aeroporto à parte

As novas embarcações elétricas serão "exclusivamente para a Transtejo". Os navios a comprar para servir o aeroporto do Montijo estarão num concurso separado.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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