Premium Os verdadeiros pimentos Padrón são os de Herbón

A pequena aldeia galega tenta pôr fim a um anonimato de mais de três séculos para reivindicar o pimento original. Uma herança transmitida ao longo de gerações de pequenos produtores à sombra de um convento franciscano e quase usurpada pela agricultura industrial. O regresso às origens do produto e do provérbio: "uns picam, outros não".

Na mão do frade José reluz uma das relíquias mais preciosas do convento franciscano de Santo António de Herbón, a poucos quilómetros de Santiago de Compostela. Trata-se de um objeto de veneração que não se guarda nem no relicário do impressionante altar barroco em talha dourada, nem na sacristia medieval onde o terramoto de Lisboa deixou uma brecha no teto de granito que faz parte da visita guiada ao monumento construído em 1396. O tesouro do convento, reconhecido hoje muito para lá deste vale verdejante onde se cruzam as águas de três rios (Ulla, Deza e Sar), está guardado no interior de uma estufa instalada nos jardins do edifício.

"Nesta altura do ano, comemos quase todos os dias pimentos e enviamos também alguns para outros conventos em Noia ou em Santiago", afirma José, no calor abafador da estrutura construída sobre o mesmo terreno que acolheu pela primeira vez o célebre pimento jalapeño mexicano, trazido da região de Tabasco por um missionário franciscano por volta do século XVII. "Ao início, tentaram secá-lo para fazer pimentão, mas ao contacto com a água tornava-se negro e não foi muito popular logo de imediato", recorda o frade, um dos últimos seis habitantes do convento, e "foi durante as épocas de fome que o seu consumo, verde e frito, acabou por se generalizar".

Ler mais

Mais Notícias