O PCP apagou a Coreia do Norte?

A discussão à volta do XXI Congresso do PCP tem três grandes matérias: a realização da iniciativa durante o estado de emergência, a eleição das pessoas que vão dirigir o partido e o texto da Resolução Política. Ao fim de um dia de trabalhos, constato que o primeiro assunto parece que só interessa a quem está fora do PCP. Para os comunistas é apenas um bom pretexto para reclamar independência nas ideias e na ação e apontar motivos de perseguição política.

O segundo assunto interessa a quem está fora e a quem está dentro do PCP, mas quem está fora foca-se quase exclusivamente em perceber se Jerónimo de Sousa fica, sai ou nomeia sucessor. Para os militantes comunistas também é fulcral a eleição do Comité Central e dos seus organismos executivos.

O terceiro tema parece que só interessa aos militantes do PCP e a mais ninguém: é o documento que define a estratégia deste partido para os próximos quatro anos. Talvez por ser militante do PCP, li as 107 páginas em causa e notei nelas três coisas que, como jornalista, acho que são notícia, mas que não vi terem relevância séria na comunicação social. Passo a listá-las, sugerindo um título adequado:

1 - "PCP está a dar prejuízo"
O PCP anuncia que tem um prejuízo anual de 310 mil euros. Na Resolução Política do congresso anterior anunciava um acumulado positivo, em quatro anos, de um milhão e 261 mil euros.

2 - "PCP ataca nas redes sociais"
O PCP pretende usar as redes sociais para "multiplicar a agitação, adequando a mensagem, com justeza e eficácia, para esclarecer, lutar e alargar a influência do Partido", mas, ao mesmo tempo, lembra que os militantes que usem essas redes devem "manter uma postura ética, manter reservado ao funcionamento do Partido o que só ao Partido diz respeito".

3 - "PCP apaga Coreia do Norte"
A República Popular Democrática da Coreia, Cuba, Laos e Vietname desapareceram do texto deste documento. A China só aparece referenciada no contexto da análise das tensões internacionais com os Estados Unidos, a União Europeia, o Japão, a Rússia, etc., e, nesse âmbito, há uma referência "à revolução cubana".

Há quatro anos, na Resolução Política do XX Congresso, aqueles países eram identificados como tendo "orientação e objetivo a construção de sociedades socialistas" e, por isso, mereciam a solidariedade do PCP.

Agora mantém-se a solidariedade com países que prossigam esse objetivo - sem identificar quais são - e junta-se essa solidariedade a países "dirigidos por forças progressistas" e aos que não tendo forças progressistas no governo "confrontam objetivamente intentos do imperialismo".

Que mudança!

Vamos lá ver se hoje os militantes do PCP, que são delegados ao Congresso, não dão cabo destas minhas "manchetes" e alteram tudo...

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