A insegurança

Segundo notícias, são avaliados 50 milhões de seres humanos atingidos pela pandemia, e entre novas notícias, provavelmente a de que há 27 concelhos portugueses que têm mais de mil casos por cem mil habitantes. Estas, possivelmente não inteiramente identificadoras da dimensão da crise, agravaram-se quando a OMS divulgou que a Europa se transformou num novo epicentro do vírus, porque na vigorosa Alemanha, na Espanha, na Itália, e agora Portugal, o espaço Schengen sofre uma rude prova, a qual, segundo o Le Monde, poderá ser a recessão. Não é uma notícia que amenize a questão, a qual é mundial e não só europeia, que o teimoso Trump tenha há poucos dias declarado o estado de emergência, que lhe deve contribuição de teimosa conduta.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que "a Europa se tornou um epicentro da pandemia, com mais casos de mortes do que no resto do mundo, sem contar a China... Cada dia são indicados mais casos novos que podiam ser encontrados na mais acusada da epidemia, a China". No mesmo dia em que esta informação circulou (salvo erro em março), o
Dr. Martin Hirsch, diretor dos Hospitais de Paris, acrescentava, para confirmar a gravidade da situação europeia, que "nunca, da memória dos profissionais, foi estar confrontado com um fenómeno de atual amplitude e com tal rapidez e também forte complexidade, diria mesmo de uma tal violência".

Claro que não pode ignorar-se a esperança despertada pela larga ação destinada a adotar as vacinas, uma experiência positiva tendo em conta que a Comissão Europeia já adotou acordos para a organização de milhares de doses, com a certeza de que não será possível servir a totalidade da população necessitada.

Não obstante estes alguns progressos de esperança para vencer a epidemia, agrava-se o problema de lutar contra a complexidade da educação, que em todos os graus tem obstáculos à capacidade de formar os jovens, em números justos, para enfrentarem os desafios do planeta com a resposta "de um saber capaz de enfrentar todas as mudanças". Os responsáveis pelo ensino da Economia dão provas ao conseguirem avançar com um enorme positivismo superando a realidade que reforça o avanço da pobreza, e enriquecem com utilidade a opinião da população afetada. Mas é pressuposto que o ataque da pandemia agrave a exigência de formação científica e profissional, cuja devoção, coragem e sacrifício dos agentes tem sido ética e civicamente exemplar, mesmo que os objetivos profissionais, e até geopolíticos, não pareçam por vezes ser reforçados em termos de poderem sempre garantir a circunstância daquela indispensável intervenção.

Ações, como a de retirada dos EUA da UNESCO, em 2017, não fazem admitir que o responsável pela decisão tem noção de que a perda de capacidade dessas instituições agrava a relação com os efeitos da precariedade da formação. É uma atitude que acompanha o agravamento da crise da educação, da formação, da especialização, da devoção e capacidade de travar e conseguir vencer a crise e mundializar ter futuro. Por enquanto não afetam correntes políticas inovadoras capazes de renovar a ordem mundial, sendo possível que a Utopia da ONU venha a recuperar das inconveniências que afetam os seus mais promissores objetivos, a "circunstância" em que o género humano se encontra a combater uma guerra comum a todos.

Com a incapacidade de distinguir entre raças, culturas e religiões, é de atribuir à posição americana uma responsabilidade indesculpável em relação à justiça natural. O presidente decisor é exagerado quando julga que o mundo espera que participe com êxito numa aliança contrariante do expansionismo da China. Espera-se antes que os estadistas da Índia, da Austrália e do Japão esperem pelo estadista competente, que com eles conserve a paz global.

O comportamento deste presidente não tem referência no passado dos EUA nem de qualquer experiência ocidental de democracia. Pratica com evidência, limitado talento, o Estado-espetáculo que Schwartzenberg criticou e agora recebeu uma preocupante adesão: não vai ser possível deixar, pelo menos biograficamente, a este modelo a responsabilidade pela dimensão das consequências, em perdas e sofrimentos humanos, que o povo americano sofreu, e, quanto aos responsáveis pelo modelo político, a necessária intervenção numa reforma que impeça a repetição de semelhante desastre, pelo menos num Estado de direito. Não é possível encontrar exemplo no passado, é necessário que não seja repetível n o futuro.

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