A complexidade europeia

A situação grave do globo, posta em evidência pelo coronavírus, desafia a capacidade de uma vasta articulação de cientistas e profissionais, destacando-se os que global e rapidamente compreendem que o mundialismo tem de ser subordinado pela cooperação aceita pelos poderes políticos capazes.

A história europeia não consegue identificar nem a origem do nome nem quem o escolheu, havendo lembrança de Hérodoto registar, cinco séculos antes de Jesus Cristo, a sua incerteza. É suficiente a inspiração usada no sentido de que terá havido em Týr uma princesa com esse nome, a qual numa noite sonhou com duas terras que a discutiam, com o aspeto de mulheres, uma que pretendia guardá-la e protegê-la, e a segunda, terra vizinha, cumprindo a vontade de Zeus, raptá-la sobre as ondas do mar, onde um toiro, "magnífico e doce", surgiu e convenceu-a a cavalgá-lo, e este se revelou Zeus, apaixonado por ela, levando-a para Creta, onde foi mãe de muitos filhos, vindo a ser encontrada pelo irmão Cadmus, que, guiado por uma vaca, encontrou o lugar onde construiu uma cidade que foi Thébes.

Este é o resumo da breve descrição da "Europa, a palavra e o espaço", com que os colaboradores de Carpentier e François Lebrun iniciam a história do continente, que exigiu estudos, juízos e previsões de uma riqueza e importância que regista a maior importância da evolução do globo, que nesta data suporta graves riscos, talvez o mais ameaçador o do globalismo, que duplica a articulação e dependência de todos os povos, sendo a Europa "um continente pequeno, aberto e bem situado", chamado há séculos "luz do mundo", e agora na situação grave do globo, que não apenas neste domínio do ataque à vida do género humano, mas na exigente necessidade de salvaguardar o único lugar da sua existência, posta a situação em evidência pelo coronavírus, que desafia a capacidade, de uma vasta articulação de cientistas e profissionais, destacando-se os que globalmente e rapidamente compreendem que o mundialismo tem de ser subordinado pela cooperação aceite pelos poderes políticos capazes.

Até hoje, esta questão foi com responsabilidade assumida pelo secretário-geral da ONU. Por ela ficou claro que não dependemos apenas da investigação científica e profissional ser decidida, competente na investigação e no exercício, recebendo o devido agradecimento e admiração das populações ameaçadas, mas também finalmente aceitando fazer desaparecer a violação dos direitos humanos pelo "credo dos interesses" que iniciaram o desafio da condição que é diariamente posta em causa pelo Papa Francisco.

Nuno Santos (Animação) / Vítor Higgs (Ilustração) / DN

A enumeração das práticas e desafios desta crise humana mundial é longa e identificável. Talvez não seja longe da realidade tornar evidente, no apreço e na contradição das correntes políticas, lembrar a competição, que cria uma espécie de nova desarticulada evolução, de emergentes como a Índia esquecida de Gandhi, das famosas fake news, o Japão que alterou a sucessão imperial que a crítica liga à súbita crise económica, a que não terá remediado o acordo entre Tóquio e Pequim, embora seja corrente que o Japão continua a necessitar da aliança dos EUA, a memória da guerra do Vietname, a competição entre a China e os EUA. E, quanto a estes, impressiona o êxito do seu atual presidente, designadamente no que respeita aos homens vivos, a diferença entre a sua política de emigrações, sendo exemplo o projeto do famoso muro para deter o México com êxito, enquanto a Europa não revelou ainda como assegurar o fim da complexa relação entre os deveres humanitários e a segurança.

O Brexit obriga a retomar a meditação relativa à cruz de Lorena sobre a confiável esperança do futuro da União Britânica com a Europa, que exige mais solidariedade quanto à salvaguarda dos seus povos, incluindo aliados, do que sobre a indefinição que o Brexit produziu quanto às complexidades de uma definição, rápida, sobre a solidariedade esperada pelo longo tempo de uma decisão, e pela complexidade de saber como articular um novo futuro. A Europa Unida sempre mostrou assumir tal espírito, sem esperar reaparecimento de situações de que o passado deixou memória suficiente, e que agora se complica com a crescente evidência de que aos EUA não chega a tranquilidade de viver entre dois mares. Se a Aliança Atlântica se manteve 30 anos depois da queda feliz do Muro de Berlim, é oportuno meditar sobre a importância do esforço mantido quanto ao futuro.

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