UEFA decide nesta quinta-feira se Euro 2024 vai ser turco ou alemão

Anúncio feito nesta quinta-feira. Germânicos temem empenho pessoal do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e o facto de a Turquia ter um registo quase limpo em matéria de organização de grandes certames futebolísticos.

A UEFA decide nesta quinta-feira qual será o país organizador do Europeu de Futebol 2024, uma vez que há duas nações candidatas: Alemanha e Turquia.

À partida, o favoritismo recai no projeto germânico que deseja ver o país a acolher um Europeu pela primeira vez desde a queda do Muro de Berlim - o último Europeu organizado pela então República Federal da Alemanha foi em 1988, tendo a Alemanha unificada acolhido o Mundial 2006.

Philipp Lahm, antigo capitão da seleção daquele país, elogia o relatório preliminar da UEFA explicando que o mesmo valorizou "o trabalho feito nos últimos meses" pela candidatura alemã. Esta visa estimular o investimento em solo alemão e criar um sentimento de união no povo alemão. Para o Europeu a Alemanha não precisará de fazer muita coisa, pois os estádios já existem assim como as infraestruturas necessárias. E este é um ponto que a Alemanha tem sobre a Turquia, que precisará de um reforço ao nível das infraestruturas de apoio, não tanto ao nível dos estádios.

No relatório preliminar, a UEFA avaliou tudo o que rodeia uma grande competição a nível logístico, principalmente no que diz respeito ao capítulo dos transportes e do alojamento.

O favoritismo é da Alemanha mas os germânicos temem que prevaleça a lógica do "esta é a vez da Turquia"

Ainda assim, apesar de os indicadores penderem aparentemente para a Alemanha, os responsáveis da federação germânica, segundo a imprensa daquele país, estão preocupados com o empenho político da Turquia; o seu presidente, Recep Tayyip Erdogan, fez da organização do Euro uma prioridade máxima. Inclusivamente há informações não confirmadas de que o próprio Erdogan se reuniu com membros do Comité Executivo da UEFA para explicar as virtudes do projeto turco. Depois há mais uma situação que ajuda a entender o receio alemão, pois a Turquia perdeu a candidatura (conjunta com a Grécia) do Euro 2008 e ainda de 2012 e de 2016, tendo ainda desistido de se candidatar às meias-finais e à final do Euro 2020 que se vai realizar de forma itinerante em 12 cidades de 12 países. Por tudo isto, na Alemanha teme-se que se instale uma voz de comando no seio da UEFA, que esta "é a vez da Turquia" que apenas recebeu um Mundial sub-20 e uma final da Liga dos Campeões que o AC Milan de Rui Costa perdeu para o Liverpool em 2005. No entanto, a Alemanha também tem um trunfo que pode funcionar na lógica da permuta visto que não ofereceu resistência ao facto de a final do Euro 2024 ser em Inglaterra, no Estádio de Wembley.

Estugarda apoia... Turquia

Os dossiês de candidatura estão proibidos legalmente de apontar defeitos a candidaturas rivais, mas o presidente da federação alemã, Reinhard Grindel, tem sublinhado, com alguma insistência, que um evento da magnitude de "um Europeu de futebol deve ser disputado num país política e economicamente estável" numa crítica, por omissão, à Turquia. A isto não são alheios os 300 quilómetros que distam de Trabzon, uma das cidades propostas pela Turquia, da fronteira com o Irão. Em Trabzon joga o Trabzonspor, que agora é de João Pereira e já foi de Bosingwa e de Oscar Cardozo.

Se o Mundial se disputar na Alemanha a final será em Berlim ao passo que se for a Turquia a escolhida o jogo decisivo será no Atatürk Stadium, em Istambul.

Veremos quem leva a melhor nesta quinta-feira mas a Turquia recebeu no último domingo um apoio inesperado pois os adeptos do Estugarda estão contra a organização do Euro 2024 e alegam que a federação alemã comprou o Mundial 2006. Não se pense que Estugarda é uma das cidades que ficou de fora do plano alemão para o Euro 2024. Nada disso, é uma das dez cidades juntamente com Berlim, Munique, Dortmund, Gelsenkirchen, Hamburgo, Dusseldorf, Colónia, Leipzig e Frankfurt. Na Turquia as já citadas Istambul e Trabzon são acompanhadas por Ancara, Antalya, Bursa, Eskisehir, Gaziantep, Izmit e Konya.

As duas candidaturas podem fazer nesta quinta-feira uma derradeira apresentação antes da votação de 17 dos 19 membros do Comité Executivo da UEFA, já que Reinhard Grindel, presidente da Federação Alemã de Futebol, e Servet Yardimci, vice-presidente da Federação Turca, por motivos óbvios não podem tomar partido. Em caso de empate (pode haver votos em branco), o desempate será feito pelo presidente da UEFA, o esloveno Aleksander Ceferin.

As desistentes

Houve mais três candidaturas que ponderaram avançar para a candidatura da organização do Euro 2024, uma delas muito curiosa e que reunia a Escandinávia - Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia. A iniciativa partiu da Dinamarca mas não houve consenso e o assunto morreu em fevereiro do ano passado.

A Estónia também chegou a posicionar-se para receber o evento juntamente com a Rússia mas esta foi a eleita para o Mundial 2018 e o sonho estónio terminou rapidamente.

Em 2012, houve um projeto de intenções por parte da Holanda para ser a anfitriã a solo do certame e não em coorganização como sucedeu em 2000 juntamente com a Bélgica. Mas o processo não teve seguimento por falta de algum entusiasmo governamental.

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