Investimento das empresas ainda abaixo dos valores pré-crise

As empresas portuguesas estão mais sólidas, menos endividadas e com melhores resultados, mas ainda longe de atingir taxas de investimento anteriores à crise.

O investimento das empresas portuguesas ainda não recuperou para valores anteriores a 2011, o primeiro ano da crise económica, com a chegada da troika. De acordo com os dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de investimento está quase nove pontos percentuais abaixo do valor de 2008, o primeiro ano considerado pelo INE neste retrato sobre o tecido empresarial.

"Desde 2013 verifica-se uma melhoria contínua na taxa de investimento das sociedades não financeiras em Portugal, atingindo 21,5% em 2017, mas ainda assim abaixo dos valores anteriores a 2011", refere o destaque do INE, adiantando que esta tendência tanto é visível nas pequenas e médias empresas (PME) como nas grandes sociedades. "Por dimensão de empresa observa-se a mesma tendência, tendo as PME registado 22,3% e as sociedades de grande dimensão 20,1%, em 2017", indica o gabinete estatístico. A taxa de investimento mede o peso da formação bruta de capital fixo (FBCF) em relação ao valor acrescentado bruto (VAB).

O setor da agricultura e pescas foi o que registou o maior crescimento da taxa de investimento em 2017, mas também a taxa de investimento mais elevada, seguido do setor do alojamento e restauração.

Por regiões, a taxa mais elevada em 2017 registou-se no Alentejo, com um valor a superar os 30%, seguido do Algarve. No fundo da tabela está a região norte, com uma taxa de investimento pouco acima de 20%.

Mais sólidas, menos endividadas e mais exportadoras

Em 2017, as empresas portuguesas conseguiram ter maior autonomia financeira e reduziram o endividamento. De acordo com os dados do INE, o rácio de autonomia financeira, que mede a capacidade de contrair empréstimos a médio e longo prazo, aumentou para 0,35, um ponto acima do registado em 2016. Outro indicador para avaliar a saúde financeira das sociedades é o endividamento. Também este rácio baixou de 0,66 para 0,65 e o mesmo aconteceu com o rácio debt to equity, que avalia o nível de endividamento da empresa e o seu grau de dependência face aos seus credores (1,93 em 2016 para 1,89 em 2017).

No ano passado, existiam mais de 24 600 empresas exportadoras, representando um crescimento de quase 4% face a 2016. A elas deveu-se mais de um terço do volume de negócios gerados ao longo do ano, tendo o ritmo de crescimento deste indicador sido maior do que nas sociedades não exportadoras.

Alojamento e restauração atingem recordes, mas salários continuam baixos

Em 2017, o setor do alojamento e restauração atingiu máximos históricos em termos de volume de negócios. "Em virtude dos crescimentos registados desde 2013, o volume de negócios do alojamento e restauração atingiu o valor mais elevado em 2017", lê-se no destaque divulgado ontem pelo INE sobre as empresas em Portugal.

Mas também o valor acrescentado bruto (VAB) teve um comportamento muito positivo, com o gabinete de estatísticas a referir um crescimento de 20,4%. Em termos absolutos, 2017 também evidenciou máximos históricos em volume de negócios e VAB.

Com esta evolução, o setor ganhou peso comparando com 2008. "Em 2017, o setor do alojamento e restauração representava 9,8% das sociedades não financeiras em Portugal (38 329 sociedades), 3,3% do volume de negócios, 8,9% do pessoal ao serviço e 5,5% do VAB."

Apesar do bom desempenho do setor ao longo de 2017, há um indicador que fica atrás das restantes empresas não financeiras em Portugal.

"Em 2017, a remuneração média mensal também evidenciou uma melhoria por pessoa ao serviço remunerada, atingindo os 895 euros mensais no alojamento e 598 euros na restauração e similares, em 2017. O total das sociedades não financeiras registou neste indicador 1007 euros", refere o destaque do INE.

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