Venderam-se mais 70 casas por dia em 2018

O valor total das transações subiu para 24,1 mil milhões de euros em 2018. É o equivalente a 12% do PIB nacional.

O ritmo é alucinante. No ano passado venderam-se 178 691 casas de habitação em Portugal, mais 16,6% do que em 2017. São 490 casas por dia, mais 70 casas do que um ano antes. E um novo recorde para um mercado que vive um dos melhores momentos de sempre.

O aumento das transações foi acompanhado por uma subida dos preços. Em 2018, o índice de preços da habitação aumentou 10,3%, contra uma subida de 9,2% um ano antes. O produto total das vendas de habitações passou de 9,5 mil milhões de euros em 2014, o equivalente a 5,5% do PIB, para 24,1 mil milhões, cerca de 12% da riqueza nacional, de acordo com os números divulgados ontem pelo INE.

Ainda assim, nos últimos três meses do ano, o mercado desacelerou tanto em número de vendas como em valor das transações. Alfredo Valente, diretor-geral do IAD Portugal, assume que "o mercado está a ajustar" e que "é expectável que o ritmo de crescimento das vendas e dos preços abrande para um ritmo mais sustentável no tempo". E lembra que "há um desajuste entre a oferta e a procura".

A construção nova está a escassear, o mercado faz-se cada vez mais da venda de alojamentos já existentes, que representaram já 85,2% das vendas feitas no ano passado. Os números não surpreendem. "Não temos neste momento em Portugal oferta nova habitacional que concorra com a usada", alerta Alfredo Valente.

O INE refere que "o crescimento do número de transações de habitações existentes acima do registado nas habitações novas, 17,5% e 11,6%, respetivamente, conduziu ao incremento do peso relativo da primeira categoria mencionada". E realça que "este foi o terceiro ano consecutivo em que se reduziu a diferença no ritmo de crescimento do número de transações entre os dois tipos de alojamentos".

E onde se vendem mais habitações? A área metropolitana de Lisboa e a região norte representaram 64,6% do total, mais 0,3 pontos do que em 2017. Só a AML concentrou 48% do valor das vendas, mas, pela primeira vez desde 2013, o INE dá conta de uma redução do peso relativo da zona que rodeia Lisboa no total de vendas. Já a região norte representou 23,5% do valor das vendas, a maior percentagem desde 2013. Mas não foi a única região a ganhar posição, uma vez que no Alentejo houve uma subida do peso relativo de 0,1 pontos.

"Até aqui eram os grandes centros urbanos, em torno dos aeroportos: Porto, Lisboa e Faro. O que é facto é que a oferta existente transformou-se e ficou particularmente cara transportando a procura a faixas mais abrangentes. Na zona do Porto é entre Viana do Castelo e Aveiro e em Lisboa são Costa de Prata e a Costa Alentejana", detalha o diretor-geral do IAD Portugal.

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