Exclusivo Para Isabelle Huppert tudo é fácil

Happy End, de Michael Haneke, é a grande estreia deste verão. Um olhar lancinante sobre uma família burguesa francesa nestes dias de miséria humana. Depois de Amor, Isabelle Huppert, regressa à câmara do cineasta austríaco. Conversa com a atriz que em breve se instala em Sintra para filmar com o americano Ira Sachs.

Pensamos numa esfinge de frieza e Isabelle Huppert aparece de rompante. A atriz francesa é a rainha do gelo e de todas as suas nuances. No Grand Hotel de la Ópera cumprimenta-nos com um outro tipo de frieza. Na sua palete de emoções arrefecidas detemos um certo divertimento na ostentação dessa "imagem de marca". "Qual o filme de que vamos falar?", pergunta, algo baralhada. Uma confusão que faz sentido no seu caso, sobretudo porque ainda falta estrear-se em Portugal o divertimento retroSouvenir, de Bravo Defune, e, entretanto, chegaram Eva, de Benoît Jacquot, Marvin, de Anne Fontaine, e esse magnífico Madame Hyde, de Serge Bozon. A melhor atriz francesa é também a mais ocupada, mas a conversa para o Diário de Notícias é para nos dar luzes sobre a escuridão aterrorizadora de Happy End, o seu regresso à câmara de Michael Haneke, o cineasta que lhe deu papelões em A Pianista e Amor.

Em Happy End, ensaio sobre cenas de uma família burguesa em dissolução em Calais, com os refugiados ao lado, Huppert interpreta uma senhora burguesa que tenta manter as aparências ao mesmo tempo que sofre de uma solidão interior lenta e impiedosa. Tem um namorado inglês que não lhe causa borboletas no estômago, problemas de comunicação com o seu filho e, pior de tudo, não sabe como lidar com a velhice do pai. E o impressionante é que a sua interpretação parece sempre estar em rima precisa com o tom gelado da realização de Haneke.

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