Exclusivo A música que gosta dela própria e combate o isolamento de idosos

Desde 2011 que Tiago Pereira anda pelo país a recolher um património cultural incalculável, no universo de cantares, usos e costumes. Com a pandemia, o projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria revelou-se ainda mais importante: passou a gravar as pessoas à janela, o que lhe valeu recentemente um prémio.

Quando Tiago Pereira começou a percorrer o país, em 2011, à procura do povo que canta (como lhe chamou Michel Giacometti, no início dos anos de 1970), Portugal estava mergulhado (só) numa crise económica. Era outro o país que ele e um punhado de entusiastas foram mostrando, através do projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria, gravando sons e vozes e difundindo tudo através da rádio, da TV e de outras plataformas digitais. Era outro, ou talvez não.

Quase uma década depois, aconteceu o que alguns desses protagonistas já não testemunharam, mas muitos outros viveram - e estão a viver: um isolamento social sem precedentes, à boleia de uma pandemia. E com isso, "outros aspetos menos explorados da A Música Portuguesa a Gostar dela Própria vieram ao de cima: o que fazíamos, gravar pessoas dentro das suas comunidades, mais afastadas dos centros urbanos, ao ar livre, dando-lhes o espaço para poderem ser o que quiserem e ativando uma escuta social... já lá estava, o que acontece agora é que as pessoas estão mais isoladas e mais longe dos seus familiares", conta ao DN Tiago Pereira, diretor artístico do projeto, que acaba de vencer a oitava edição do Prémio Maria José Nogueira Pinto, promovido pela farmacêutica MSD.

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