E o semáforo acendeu em Berlim!

A luz verde apareceu e a Alemanha já consegue vislumbrar o seu futuro de forma mais sólida do que aconteceu ao longo dos últimos meses. Scholz chegou a acordo para o período pós-Angela Merkel. Sai de cena a senhora mão de ferro da Alemanha e da Europa e entra em cena um autêntico semáforo de partidos e ideologias. Porém, antes da verdadeira e formal alteração ainda vai ser preciso aprovar um extenso documento, com 177 páginas. Os três partidos terão de dar luz verde, etapa essencial para empoderar a nova coligação, num processo que deverá estar concluído no mês que vem.

Se tudo correr como previsto, Olaf Scholz tomará posse como novo chanceler da Alemanha até ao dia 8 de dezembro, 73 dias após ter ganho as eleições. O Partido Social-Democrata (SPD), os Verdes e os liberais do Partido Democrático Livre (FDP) deram ontem por terminadas as negociações. "O semáforo está ligado", disse o social-democrata Scholz, referindo-se ao nome pelo qual é conhecida a coligação (vermelha, verde e amarela, as cores dos partidos).

Um novo paradigma começa em terras germânicas, pondo fim aos 16 anos da era da conservadora Merkel. O país defronta agora fortes desafios de estabilidade política e de crescimento económico, para além de se ver confrontado com a quinta vaga da pandemia de covid-19, cujos contágios têm vindo a bater sucessivos recordes. O país está prestes a atingir 100 mil mortes por covid-19 nas próximas horas e as equipas médicas estão nos limites da exaustão. Desafios desta dimensão deverão ser levados a sério pelos políticos governantes e nada indica o chumbo do acordo. A prioridade imediata é lidar com a pandemia e está até prevista a criação de uma "equipa de crise" a nível federal. Mais: está a ser ponderada a vacinação obrigatória para alguns grupos de cidadãos.

Em Portugal é a luz amarela do semáforo que se acende hoje, logo após o Conselho de Ministros que irá determinar as medidas de contenção da quinta vaga da covid-19. A OMS prevê a morte de 700 mil pessoas no continente europeu até à primavera. Eslováquia, República Checa e Hungria registaram ontem novos recordes de contágios e mortes e a preocupação é crescente. Em Portugal, nesta quarta-feira foram registados mais de 3 mil casos e os óbitos subiram para 17.

Ao mesmo tempo, o país prepara-se, finalmente, para reforçar a vacinação. "Queremos ter 2,5 milhões de pessoas vacinadas com terceiras doses até janeiro", disse o secretário de Estado adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales. Já a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afiança - tal como o artigo que hoje o DN publica na página 11 - que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) vai publicar hoje um parecer sobre a vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos. O parecer da EMA será depois transmitido à Comissão Europeia, que emitirá uma decisão final. Nem todos os pediatras estão confiantes relativamente a esta decisão, mas, nem que seja pela proteção dos mais velhos, tudo indica que os miúdos também irão ser inoculados.

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