Reabertura em pausa, Lisboa recua. Ala para Sevilha!

Razão tinha quem disse que o futebol é uma nação. E ainda por cima é uma nação covid free! Que o diga Ferro Rodrigues, que enquanto o governo volta atrás nas intenções de desconfinar nos manda a todos apoiar a seleção em Sevilha.

Só se esqueceu Mariana Vieira da Silva - quando anunciou que não há condições para avançar no desconfinamento em geral, que há 25 concelhos em alerta e três que vão mesmo recuar aos tempos em que os hospitais rebentavam pelas costuras - de dizer como é que nos vão enviar as passagens de avião. Podemos contar com isso, certo? Está decerto contemplado nos apoios que têm a missão de nos ir entretendo, desviando a atenção da certidão de óbito que se vai passando à economia.

Mesmo porque, todos sabemos, aqui é que nos portamos mal e geramos novas variantes do vírus, entre convívios de família, concertos e jantares de amigos. Toda a gente sabe que a covid não vem de fora, é made in Portugal, fruto dos malcomportados portugueses a quem de vez em quando há que dar uns castigos. E as novas variantes então é que não vêm certamente dos estrangeiros que nos visitam, de quem aqui chega e passa ao lado dos raros controlos feitos nas entradas.

Por isso compreende-se que nos digam para nos pirarmos. Até porque não há sítio onde ver o jogo de domingo senão o próprio estádio de La Cartuja. O governo de Costa puxou as rédeas à reabertura e a cidade de Medina não admite ajuntamentos. Os ecrãs gigantes estão proibidos em espaço público. Os restaurantes, cafés, bares e afins impedidos de trabalhar a partir da hora de almoço. As empresas que organizam eventos proibidas de os fazer ou restringidas às incompreensíveis normas da DGS, geradas sem recurso a evidências.

Não há nada para ver, não há nada que entender. É cumprir e bater a bola baixa, que há sempre multas com que ameaçar. Querem ver o jogo? Vão a Sevilha, diz o presidente da Assembleia da República, segunda figura de Estado, num país que mantém a economia e as vidas dos seus fechadas a sete chaves. Vão todos apoiar a Seleção, diz, esquecendo - ou ignorando? - que a Andaluzia, onde vivem 8 milhões de pessoas, teve, nas últimas duas semanas mais casos do que Portugal inteiro (15 675) e o dobro das mortes (75).

Não há aqui demagogia. É certo que ainda não digeri nada disto - mas imagino que a azia seja bem pior naqueles que têm contas para pagar e não sabem como hão de fazê-lo. Que querem trabalhar e não podem. Que não podem servir na restauração, que não podem vender nas lojas, que não podem abrir para irmos dançar ou conviver, que não podem lotar as salas para espetáculos, que não podem organizar eventos na máxima capacidade.

A mim, arrepia-me. Mas deve ser problema meu, porque os portugueses continuam maioritariamente calmos a assistir e a cumprir ordens ilógicas, decisões tomadas à custa dos seus meios de subsistência e das suas vidas. Haja futebol! Que de Lisboa não se pode sair para consumir e gastar no que por cá se faz e vende e serve, mas é só apanhar um avião e retomar a vida em Espanha. Sem restrições - nem sequer no regresso. Apanhem um avião e pirem-se - ou vão de carro e ainda enchem o depósito a metade do preço. Gastem, gastem! Mas gastem lá fora. Nuestros hermanos agradecem.

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