46% dos portugueses antecipam confinamento até à Páscoa

Atual período de restrições mais difícil de suportar do que o do ano passado (56%). Nem os cidadãos (68%) nem o governo (56%) se prepararam de forma adequada para a terceira vaga da pandemia.

O atual confinamento está a ser mais difícil do que o de março do ano passado (52%), depois das falhas do governo (56%) e dos cidadãos (68%) na preparação para a terceira vaga. A solução parece ser, por isso, prolongar as medidas restritivas: 80% dos portugueses querem o país fechado durante mais duas semanas, revela uma sondagem da Aximage para o DN, o JN e a TSF. E cerca de metade (46%) acreditam que as restrições se vão manter até à Páscoa.

O número de novos infetados desce de forma acentuada desde o início de fevereiro. Os internamentos e as mortes acompanham a tendência, ainda que de forma diferida. Mas na memória da maioria das pessoas estará ainda a situação difícil de janeiro, em que Portugal acusou os piores registos mundiais de covid-19. Também por isso haverá tantos a concordar com o que o Conselho de Ministros deverá formalizar hoje: mais duas semanas com comércio, restaurantes e escolas fechadas, proibição de viagens entre concelhos e recolher obrigatório.

O apoio ao prolongamento do confinamento por 15 dias é generalizado (80%) e é quase unânime entre os cidadãos mais velhos (88%) e os mais pobres (90%). Há também uma grande maioria que acredita num período de restrições ainda maior: 46% acham que vai durar até à Páscoa (opinião maioritária em todos os segmentos da amostra e em particular entre as mulheres); 10% até maio (sobretudo os mais jovens); 14% até ao verão (os habitantes da região sul são os mais pessimistas). Feitas as contas, 70% antecipam que o confinamento que hoje vai ser decidido não será o último.

País lida mal com a crise

No inquérito conduzido pela Aximage durante os últimos quatro dias da semana passada, quando os números já refletiam uma melhoria substancial, mas não eram ainda tão positivos como os atuais, havia uma clara maioria (41%) que considerava que o país tem lidado mal com a pandemia (em particular os mais velhos e os de maior rendimento). Uma sensação que se reflete nas críticas ao governo e, em particular, aos restantes portugueses, pela falta de medidas adequadas na prevenção e proteção da terceira vaga.

No que diz respeito ao comportamento dos cidadãos, a crítica é particularmente feroz: 68% acusam os outros de não terem feito tudo o que era necessário (os mais críticos são os residentes do sul e das ilhas).

A acusação também se dirige ao governo, ainda que em percentagem um pouco menor: 56% acusam-no de não ter tomado as medidas adequadas (em particular os eleitores de BE, PSD, Iniciativa Liberal, Chega e PAN); 39% defendem o contrário, que o executivo liderado por António Costa se preparou de forma adequada (com destaque para os socialistas, mas também para os comunistas).

Entre a maioria (56%) que aponta o dedo acusador ao governo, a falha mais grave terá sido a demora na implementação de medidas restritivas (47%), com destaque para os que vivem na região norte, para os que têm 50 a 64 anos e para as mulheres. Mas há uma outra opinião que se destaca: um em cada quatro destes críticos defende que as restrições do atual confinamento são demasiado leves, sobressaindo neste reparo os cidadãos de 65 ou mais anos e os que vivem nas regiões mais a sul.

rafael@jn.pt

FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM

A sondagem foi realizada pela Aximage para o DN, TSF e JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a covid-19.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 17 e 20 de fevereiro de 2021 e foram recolhidas 822 entrevistas entre maiores de 18 anos residentes em Portugal.

Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo, idade, escolaridade e região. À amostra de 822 entrevistas corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,4%.

A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem, Lda., sob a direção técnica de José Almeida Ribeiro.

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