Premium Elogio do vento na cara

Durante muito tempo os habitantes das grandes cidades guardavam-nas na arrecadação para as "libertarem" nas férias de verão. Mas quem vende bicicletas e os seus acessórios diz que elas estão a conquistar o asfalto e que a pandemia desempenhou papel fundamental na mudança de hábitos.

"Quando tudo o mais nos é retirado, a bicicleta dá-nos liberdade", diz Hugo Jacinto, supervisor da Bike Zone, loja há dez anos instalada na Estrada de Benfica, 400, a dois passos do sempre apetecido circuito desportivo do Monsanto. E di-lo porque, trabalhando para uma empresa com 25 anos de atividade com sede em Braga, sabe que a primavera do nosso confinamento assinalou um recorde histórico de vendas de bicicletas para uso urbano, acentuando muito uma tendência que, de forma tímida, já vinha a registar-se.

"Até aí vendíamos essencialmente bicicletas de estrada ou desportivas. Acredito que, neste contexto, para muita gente apostar nesta aquisição passou essencialmente por uma questão de segurança: abdicar do transporte público, potencial foco de contágio, sem recorrer ao automóvel, mais dispendioso e, em alguns pontos da cidade muito congestionados, mais lento. Por outro lado, ao mesmo tempo que os ginásios encerravam, muitos terão sentido que ir para o trabalho de bicicleta funcionaria como alternativa, proporcionando exercício físico com vento na cara, o que é uma sensação muito boa, sobretudo se temos os nossos movimentos limitados."

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