Uma mudança de padrão

À beira da Páscoa, o país receia uma subida do índice de transmissibilidade (Rt). Ontem, a reunião do Infarmed deixou vários alertas. Não só acerca do Rt, mas também, por exemplo, através dos avisos deixados pelo último relatório do estado de emergência que chama a atenção para os ajuntamentos, por vezes com "elevado número de pessoas", que se têm registado na região de Lisboa e vale do Tejo.

O aumento do índice de transmissibilidade tem riscos que já conhecemos do passado. O índice de transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2 "tem vindo a aumentar" e já atingiu 0,92, adiantou nesta terça-feira o investigador Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), sem deixar de considerar a subida como "natural". Com base na média de cinco dias, entre 13 e 17 de março, o Rt situa-se em 0,89, mas o epidemiologista, que integra o grupo de peritos que prestam apoio ao governo, explicou que no último dia de análise este indicador já tinha atingido os 0,92, ou seja, ficou muito perto do limite de 1 fixado pelo governo nas métricas de análise da evolução do plano de desconfinamento.

Surge agora, e em simultâneo, a preocupação de vacinar a população mais nova do que a prevista até aqui, entre os 40 e os 50 anos, para dar uma maior segurança ao nível de internamentos em cuidados intensivos e para prevenir algum cenário de grande incidência que possa voltar a surgir, realidade essa que se verificou no período a seguir ao Natal e ao Ano Novo. Os especialistas alertam para "uma mudança de padrão", centrada na população ativa, enquanto o grupo etário de mais de 80 anos, fortemente atingido pela covid-19 no último ano, "passou a ter uma incidência menor à média nacional".

A pandemia coloca-nos frente a frente com uma realidade que muda todos os dias, que nos obriga a ter um maior jogo de cintura para encaixar oportunidades e dificuldades. Façamos deste período em que, apesar de tudo, ainda há um bom controlo do Rt, uma espécie de projeto-piloto para preparar o que será o futuro próximo das nossas vidas, das nossas famílias e dos nossos empregos. Encarar este momento como uma oportunidade é determinante para traçar o futuro.

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